terça-feira, 16 de agosto de 2016

pra existir em vida, deve antes existir no coração

filho ou filha, antes de você existir em vida, você já existe em meu coração. acho até que a ordem das coisas é essa mesmo: primeiro o amor, depois todo o resto. confesso que por muito tempo evitei receber você. é que o mundo tem páginas ruins e eu queria poupá-lo disso. acontece que o mundo tem também outros mil capítulos maravilhosos, e são eles que justificam a minha decisão pela sua chegada. nesse mundo bom tem um vovô pra lhe mostrar cada detalhe verde guardado na natureza e cada pedacinho de céu cor de infinito, tem a vovó pra lhe dar muito aconchego e muitas gostosuras em encontros cercados de família, tem a madrinha com disposição pra fazer de cada dia o mais bonito de todos, tem o papai pra lhe ensinar desde pequeno a delícia de um caminho preenchido pela persistência, e tem eu, a mamãe, pra lhe oferecer meses, anos, décadas de poesias, pra você sempre acreditar no amanhã. tem outras tantas maravilhas, as quais não faltarão oportunidades para conhece-las, pois entre as preciosidades que quero lhe dar, uma delas é tempo para sentir cada estação sua. então, filho, continuarei a sua espera, até que meu jardim deixe desabrochar a mais linda flor.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

[tem arte que prolonga a pele em tudo quanto é canto desse mundo, faz do riso estátua no rosto e cria um palco bem dentro da imaginação]

domingo, 17 de julho de 2016

paralelismos

nela estão meus anseios, os quais materializam-se em sua história, e não na minha. vingo-me do alcance diário dos meus desejos no pulso de outrem. racionalmente não quero estar lá, mas os bloqueios não são indicativos de passagem, pelo contrário, eles travam o caminhar. hei de destruí-la em mim, porque não residem nela os nervos, mas em minhas projeções inacabadas. enfrentar-me, neste momento, diz respeito a encontrá-la, não em seu mundo, mas em meu universo sempre tão paralelo.

sábado, 26 de março de 2016

das arte de biografar

da arte de biografar sempre me escapa o sujeito. nas letras ficam minhas lentes viciadas em entender um pouco mais de gente. todo aquele dinamismo do indivíduo se congela por bem mais que uma vida em folhas sedentas por imortalizar novas histórias. ali materializo um recorte, separo um ponto de vista e coloco um ponto final. mas é aí que tá. o movimento não interrompe, tampouco a respiração e muito menos a história. por sorte, as folhas não tem grades. mas todo cuidado é pouco, pois grades são coisas do homem, e o homem não é tão imprevisível assim.

terça-feira, 8 de março de 2016

vida sem berço

o mundo tem um quê de incerteza, de não prever que tanto de você caberá em seu próprio berço. e àquele que nasce, não se pergunta do desejo em se concretizar enquanto vida. inevitavelmente, o corpo cresce, e o berço, outrora inexistente, não é substituído por outro espaço, nem concreto, nem afetivo. e aí, sem lugar, o mundo todo é endereço. resta saber qual será o cep determinante. - relato inspirado em um adolescente desligado da Unidade, mas não das minhas orações. amém.

sábado, 12 de setembro de 2015

refugiados de si mesmos

e no final da contas, é uma guerra de ideias. como se as diferenças não fossem coabitáveis no mesmo espaço de tempo e de endereço. dispara-se o tiro contra o outro em sua aparente diversidade, sem se dar conta da mais profunda semelhança. criam-se fronteiras e legitimam-as como se a divisão dos mundos fosse necessária e parte da natureza das coisas. denominam como refugiados aqueles cujos corpos registram a marca da intolerância, as quais uns podem dizem que é contra o outro, mas eu diria que é em essência contra si mesmo. e nesta guerra que se arrasta há anos, é difícil encontrar qualquer fresta de razão em tantos fins justificando os meios.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

escrever é um eco

escrever é capturar o eco. por instantes, fica uma espécie de ruído nos rondando. pra ver se a gente se salva, a gente busca na palavra uma forma de transbordar o copo. acontece, que o líquido escorre, sem levar consigo o ruído. até que os dias passam, surgem outras cenas, a vida segue o seu movimento nada linear, e o ruído permanece. custa pra gente dar conta de colocar numa página aquilo que nos povoa, e quando isso ganha a dimensão das palavras, eu confesso: não há salvação maior.

não se nasce filha, torna-se

 mãe, parece óbvio, mas só recentemente te descobri filha, avó, esposa, mulher, empresária...  por um prazo longo demais, enredei-me em uma ...