quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

teus dedos de eucalipto, tuas mãos maiores que o mundo

teus dedos. compridos e finos como teu corpo. como eucaliptos: que por entre seus prolongamentos escondem desejos sexuais. entre uma altura e outra, lá cabem seus dedos e nossos gemidos. esguios que só eles, formam fileiras excitantes de gritos beirando o céu. atraem-me com vendas nos olhos, naquele fio de confiança que me entrega ao escuro. você é meu clarão. abro os olhos sentindo suas pontas cavando terras inexploradas de meus continentes. você mapeia meus delírios, codifica a entonação de meus pulmões, viajando em meu terreno vaginal. descobridor de mim, inventa passagens aéreas sem volta. estes dedos, ritmados pelo vapor do café, seguram as alças da xícara que se torna miniatura ante tua imensidão. percorrem meus lábios, penetram minha boca, absorvem meu sabor. degustam-me. 

tuas mãos, tão maiores que o mundo. nelas cabem meus seios, minha loucura. embolam meus cabelos no caracol do seu movimento. atam nós, desatam tabus. tatuam minha pele com seus contornos. estas mãos quando encontram minha cintura, naquele declive onde amontoam vontades, curvam minha direção. sigo torta, pro seu mundo torto, entortando a regra até que ela sirva em nós. nossos labirintos acumulam saídas. falamos a mesma língua, beijamos também. tua palavra me beija. teu timbre morde meu lábio. 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

você é a preliminar

suas mãos tão maiores que as minhas. os dedos compridos, finos, afluentes como seu corpo. as unhas longas e arredondadas. entre os dedos, o cigarro fumando ideias vagas. você sempre gostou de vagar por aí. é com os dedos que você passeia por mim. com a ponta dos dedos. vez ou outra começa com a língua ou com a urgência da palma das mãos, como quem acumula desejos. foi assim naquela noite ao sair do elevador. eu vestida de batom vermelho, que você logo retirou sem a cerimônia das palavras ou da ponta dos dedos. teve também a outra noite quando você anunciou no carro o próximo passo, e ao chegar na sua casa, arremessou os objetos da mesa de madeira ao chão, jogou metade de mim em cima da mesa, e de costas penetrou sua vontade sem preliminares. e aliás, VOCÊ É A PRELIMINAR. o jeito de olhar sufocante, o dom de recuperar o mundo com a linguagem, a facilidade de ativar minha imaginação, a capacidade de afinar a voz no tom certo dos fios que percorrem meu corpo, o hábito de passar as mãos nos cachos libertando-os da forma, o modo de guardar fios por trás da orelha, a habilidade de acomodar infância no sorriso e decisão na paternidade, o mistério das respostas sem ponto final e sem futuro, e principalmente, a coragem de tomar banho de chuva. 

domingo, 7 de novembro de 2021

o amor está na falta?

escrever é minha forma de tocar você na letra. esses dias duvidei de nós. oito dias cheios sem saudades. o amor está na falta? seguimos como um par sem nome, e isso me venda os olhos e me escancara o corpo. liberada da forma nominal, criamos presentes desencaixados. deixamos o futuro pra depois, e vivemos a urgência de tantos agoras. você entre os cacacóis da paternidade e da desterritorialização. nossos encontros têm começo, meio e fim. esse é meu jeito de me proteger de sua partida diária, sem que parte de mim vá junto com você. eu preciso ficar (em mim).

sábado, 11 de setembro de 2021

desejo descalçado

te desejo como um grito do corpo. naquele intervalo que deitei meu rosto no seu ombro e encolhi o meu movimento no seu colo. você supôs ser ninho, porto, ou coisa parecida. enquanto um braço me ancorava, o outro com seus dedos longos me percorria. eu ia cedendo mais a cada toque, e minha pele ia encostando mais na sua. sua mão me tateava, num ir e vir contínuo do vale da minha cintura até a montanha do meu quadril. entre eles a ponta de um ou dois dedos passeavam com afinco a lateral da minha calcinha. minha respiração parava quando o dedo pausava na calcinha. eu ia me rendendo a você, entregando meu corpo em sua direção. ousado, você avançou a fronteira do tecido e no giro do vestido adentrou minha pele. explorou o comprimento das minhas pernas, atracando outra vez em minha calcinha, mas desta vez, sem a camada do pano. deixou que seu dedo agarrasse a calcinha, movendo-a dali pra descalçar o desejo. te desejo com minha nudez. sem calcinha.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

vontade de ter uma c(asa) de rodinhas, paredes de troncos, teto de estrelas, e uma varanda com uma escada pra morar na lua sempre que ela surgir cheia. uma c(asa) que acompanhe meus pés e tente acompanhar meus pensamentos. a vontade é de me sentir em c(asa) onde quer que eu vá.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

{quem é ele? quem é ele? eu vejo tudo embaçado}

estou te procurando, mas não sei bem onde te achar: se num banho de chuva, num sonho de barco, ou nas teclas dum piano, nos planos da próxima viagem. será que já te encontrei? fico meses duvidando que te deixei ir, por quatro vezes, com quatro nomes. me faltam forças para remar? rapidamente eu respondo: não vou lutar contra moinhos de vento. então, segui adiante, e logo depois, veio ele, depois, outro, em seguida, você. será que é você? eu ainda estou te procurando, mas acho que não quero te achar. quatro amores, dois encaracolados, outros dois em ondas de mar. quatro que se eu pudesse somaria em um. estou procurando alguma coisa, mas acho que não é alguém: é uma sensação, uma mão pra segurar a minha em alto-mar e pra regar as rachaduras do meu sertão, algum par de olhos que dialogue poeticamente, um corpo que vibre no meu em toque e em pensamento. acho que é isso. e acho que é alguém. será que existe? se isso for parte do mundo real, pode vir, mas tem que vir junto com um mapa, uma espécie de radar próprio, sem aquela confusão beirando o precipício toda vez que for falar de amor. venha, por favor, mas com bússola no bolso.

teus dedos de eucalipto, tuas mãos maiores que o mundo

teus dedos. compridos e finos como teu corpo. como eucaliptos : que por entre seus prolongamentos escondem desejos sexuais. entre uma altur...