sábado, 1 de agosto de 2009
a outra parte de mim
pode acreditar: eu sou duas. no mesmo instante que eu vivo eu me observo. sou a espectadora perfeita. sento na poltrona da platéia e não saio mesmo após o fim do espetáculo. eu sei. depois que as cortinas fecham ainda acontecem grandes capítulos. e eu observo. esta parte de mim não pisca os olhos. enxerga as asas de um pássaro indo e vindo fazendo-o dançar no ar. conta as batidas. percebe quando o vôo é mais lento. nada passa. aliás, fica muita matéria pra trás. mas as explosões ficam retidas, nas retinas. assim, há uma parte que olha e outra parte que olha pela segunda vez. diante do mundo eu permanentemente me analiso. sou personagem. a realidade é a minha observação. sou objeto empiríco dos meus desejos. escrava das possibilidades. submissa a qualquer gota de loucura.
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