quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
no quarto ao lado
eles ainda moram aqui. vizinhos. é a mesma distância que antes. um abrir de portas e um encostar de peles. presença não é só física, por menos científico que isto seja. aliás, ciência pouco faz parte de mim. e num dia desses, que não se sabe exatamente quando se deixa de ser dia e se transforma em noite, eu abri a porta do meu quarto e fui para o dele. lá estava o lençol verde furado, furando-se. a bagunça continuava espalhada pelo chão que a suportava e a incentivava. ele dormia sozinho e era muito espaço pra uma pessoa apenas. então a desordem era uma forma de ocupar o vazio, tão desnecessário. sob a mesa o caderno. dentro do caderno folhas de segredos. um mundo particular a vista, ao meu fácil alcance. se você resistiria, eu não. eu olho por qualquer janela que tenha a mínima fresta. só pra chegar lá, do lado de lá, do lado que não é meu.
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