segunda-feira, 15 de novembro de 2010
foto na parede
guardara a beleza de um tempo atrás entre as molduras de bronze. protegida ali ela não sofria os efeitos dos dias acelerados, mantendo então o corpo imune as viradas dos anos. sorria sempre, não havia nada que pudesse alterar o seu jovem humor, sem pressa alguma de chegar na próxima esquina. o quadro era um abrigo das memórias de um tempo bom, conservava imutável as palavras ditas pela expressão da pele, mas principalmente denunciava a contagem oculta das noites que desde então apenas continuavam. a foto vigiava o corpo em movimento, entregava sem pudor a passagem das horas. fazia um bom tempo que ela já se defendia dos dias que se foram, eles realmente desapareciam afinal, não deixando se quer pistas para que ela pudesse recria-lo por mais uma vez, nem que fosse por uma lua a mais. o agora depois que se transformava em ontem tornava-se irrecuperável. ela precisava se contentar com o que lhe restava: o futuro dos dias de hoje...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
eu até olho, mas não vejo nada
ao olhar pra você, ainda que pondo meus olhos fixos em você, invariavelmente te perco. poderia supor que isso que evapora quando te olho é ...
-
mas pra isso é preciso desejar sincero e profundo, ao ponto da rua ser toda sem saída, sendo o ponto de chegada o mesmo ponto de partida. ca...
-
entre tantas histórias possíveis era difícil escolher uma pela aparência que lhe vestia, de longe todas surgiam atraentes, pois contadas por...
-
daqui de baixo parece que a Lua cabe na palma da minha mão, as vezes o céu surge tão perto dos olhos que chego a tentar catar estrelas pra g...
Nenhum comentário:
Postar um comentário