sexta-feira, 2 de setembro de 2011
primavera
e me contava histórias de um mundo bonito, de casas de um cômodo só, de gente dotada de asa voando muito além dos muros de outrora, de jardins colorindo os berços das vidas iniciantes, de madrugadas preenchidas de prosa na varanda próxima da lua cheia, de tardes lambuzadas de brigadeiro contornado de desejos das crianças aguardando o doce da vovó, de manhãs começando no mesmo instante do amanhecer do tempo, de um vento que ao tocar a pele a abraçava inteira em tom de arrepio, de livros que se transformavam em verdades nas noites de estórias... me contava histórias de um mundo bonito que existia debaixo das suas retinas, e sorte foi a minha e poder pegar emprestado esses olhos de menino que enxergam flores em qualquer estação.
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