quarta-feira, 15 de novembro de 2017
descendo da montanha
de você, o luto. desta vez foi sem registro dos 30 dias de vida. desfiz a vitrine, me tirei do cabide, andei descalço, olhei pro céu, entrei no mar, me perdi na falta do horizonte. essa vida que não foi escrita antes da gente, mas que também não nos deixa escrever a nosso modo. já não nos chegam os papéis em branco, eles aparecem rabiscados, com as pontas rasgadas na altura do peito. até que se tenta fazer alguns remendos, mas a costura não se recompõe, e o botão não estanca a ferida. a gente insiste. vê que a trilha só cabe um, mas aperta, encolhe, escorrega, levanta, machuca, marca, e fere. sabe-se do risco de morte, confunde-se, talvez seja risco de vida. morte e vida no cume da montanha, lado a lado, e perde-se a conta de quantas vezes se sobrevive e se recupera o fôlego. e agora, hora de descer, depois de se chegar tão alto, de acelerar o passo sem olhar pra trás, é hora de descer, passo a passo, sem você, eu sempre estive sem você, descer, com você, mas sem mim, sem nós.
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