quinta-feira, 27 de setembro de 2018

quando eu te deixei ir, e você ficou

teus olhos, ancorados no barco de amanhã, não me perguntam nada. já os meus pares de retina, filosoficamente, persistem numa interrogação que não ouso formular. tu não terias as respostas. estão todas cuidadosamente guardadas no silêncio do meu corpo, nas tantas possibilidades de céus de um dia após o outro, e no vapor que se respira quente do café que é das manhãs. e assim teu sossego encontrou o meu, num desencontro físico, na calada das inquietações. respirar salva! - por mim e para mim

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

domingo, 9 de setembro de 2018

um bom lugar pra ser perder

escrevo pra me salvar da próxima curva, quando um perde o outro de vista, quando um segue, e o outro fica. (é importante, apesar do estado de nuvens, eu deixar os pés no chão sobre nossa despedida. eu olho pra você e sinto que ao mundo pertences, e que, talvez, um cep não caiba teu corpo de mar). escrevo pra te guardar na minha gaveta, e poder re(ler) você sempre que a maresia acontecer. escrevo pra prolongar essas horas que duram dias, pra ver se acerto o relógio de amanhã. é que desde ontem vendo você trajado de sua pele rosê fiquei com o coração exposto pro mundo, e agora, pra mim. o ritmo seu, que é também ritmo meu. um encontro temporal, o nosso. com tempo de olhar tanto seus olhos até descobrir todas as cores de suas retinas, de abraçar todos os seus endereços, de acordar e respirar seu cheiro. dos seus esquecimentos, espero o dia que esquecerás você por aqui, nesse nosso universo paralelo. que te percas por aqui, em mim, sem nunca mais encontrar o caminho de volta. acho que é seguro se perder assim. também preciso negritar que quando criança, era comum brincarmos de sonhos e de futuro. depois disso, não mais ouvi falar de quem tivesse sonhos do tamanho da infância, com exceção de você, que quer o oceano, o infinito, uma vida a beira-mar. que tipo de homem pode haver por trás de um sonho velejante? (...)

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

eu te peço: fica um pouco mais.

ontem eu esqueci que sempre sinto medo nas ruas enluaradas e desertas de movimentos. fechei os olhos e me encolhi entre seus braços e abraços. desviei qualquer sinal de ponteiros. me desprotegi do mundo e me apoiei em teu querer. respirei seu cheiro espalhado pela pele e misturado nas margens de sua roupa. enchi e esvaziei o peito algumas vezes, eu sabia exatamente o que se passava. pela segunda vez, desde então. não encontrei as palavras certas pra traduzir meu corpo trêmulo. eu também quis evitar declarar meu universo pra você assim tão de repente. achei que você poderia desaparecer logo no próximo amanhecer. guardei as palavras, mas bem sei que meus olhos exalavam letras garrafais. eu me fiz prova de mim mesma. me denunciei. me condenei a quem sabe aos amanhãs dos passos seus. quem sabe... eu não sei. seus lábios tocaram os meus por questão de segundos que se esticaram em horas, em tantas horas, que ainda não me desfiz de você. eu disse que não tinha segredos, mas me despedi de você com um deles, a beira de suas conchas. se há pra nós um filme de nome medianeiras, se há tempos que não acho outro alguém, você há de ser meu "wally" do mundo real. me queira também, e bem.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

vim de lá, e vou pra lá

vim de lá, de um mundo bem particular. debruçava-me em olhos, e desmanchava-me em versos. enxergava poesia no sertão, e só percebia a seca depois de atravessar a estação. todo ano era a mesma cena, e nada de eu aprender a abandonar a vontade do mar. a miragem me tirava do conforto, e os passos nunca que me levavam até um porto. duvidei então da existência de um aconchego, e acreditei que a falta de ar era impulso pro lado de lá.

um balanço de idas e vindas

fio a fio foram se encaracolando no vento que se inventava a cada ida e vinda do balançar da menina. os cabelos envolvidos na trança se atreviam a sair do contorno e espiar o sopro; e quando voltavam, não mais retornavam. os braços da menina seguravam as cordas nas laterais do balanço e suas pernas guiavam a corrente de ar que ali se descobria. os pés se protegiam do chão, e o corpo ganhava impulso a cada vez que se aproximava do céu. interessante era notar que os picos se revelavam nos caminhos de ida e de volta, e que a chegada era o desfrute da partida. tudo dependia então da forma como se iniciava o impulso, do tanto que fôlego que se depositava na largada.

tu que não sei porque deixo ficar

tu que vens sem acessórios, sem polidez, sem lapidação. vem sem censura, sem jeito, sem costura. tu que chegastes sem abraço, sem carinho, sem aconchego. tu que vais sem despedida, sem amanhecer, sem café da manhã. tu que ainda assim fica, sem futuro, sem pedido, sem as chaves. tu que segues nos amanhãs sem me reservar um endereço. tu que não sei porque deixo voltar. a tua distância se revela abismo e eu me pus a construir pontes que me levem até o canto onde você se esconde. sim, há um esconderijo. as vezes te descubro nos olhos, outras nas interrogações. te capturo nos descuidos, nas intenções, nas minhas tantas interpretações. te leio o dia inteiro, e assim meus mil devaneios. uso lupas de fazer enxergar teu coração. te amplio, te exagero, te faço oceano. tu que me travastes na dúvida, na incerteza, na insegurança. tu que me faz engolir seco cada pergunta que ressoa a cada segundo. então parei. parei pra deixar você passar, mas principalmente pra te fazer tropeçar (em mim). estou me colocando em seu caminho, me incluindo em seus dias, to me desenhando em sua paisagem. estou aos poucos ficando.

não se nasce filha, torna-se

 mãe, parece óbvio, mas só recentemente te descobri filha, avó, esposa, mulher, empresária...  por um prazo longo demais, enredei-me em uma ...