terça-feira, 2 de abril de 2019

uma estrada não tem ponto final. aliás, quando mesmo que as histórias acabam? as ruas não são sem saídas: há sempre um muro cheio de céu. o mar começa ou termina no rio? {desagua, continua} as verdades são feitas de mentiras. ou melhor, a verdade não existe, miragens sim. o silêncio traduz livros inteiros, os olhos também. as molduras guardam saudades, os domingos, cobertor.

eu, amante de corrida

se corres, é pra onde? pois que imediatamente respondo: é pro mundo. correr produz batidas do coração, desafia nosso oceano interior, e põe o corpo inteiro em movimento. correr em grupo então, eleva ao infinito as fronteiras mentais, soma energias que conduzem ao pico da montanha, pra que de lá tudo fique do tamanho que é: pequeno e simples. correr limpa a alma, estica os sonhos, balança as ondas do mar. correr tira o ar e devolve o fôlego. mas pra correr tem que ter céu, tem que ter o vento navegando a pele, tem que ter a planta contornando as margens, tem que ter os pés no chão e o coração na boca. pra correr basta ter esse desejo insaciável de sair do lugar, de pisar cada canto desse universo e descobrir esquinas inabitadas. e no caso meu, eu corro, logo existo! {eis minha homenagem ao grupo de corrida “Calma Clima”, que fez da corrida um verdadeiro ato poético}

domingo, 24 de março de 2019

das coisas ditas, tem culpa quem mente, e tem culpa quem acredita. e no final, pouco importa saber do culpado.

sábado, 23 de março de 2019

nossa ópera de cada dia

sim, a beleza nasce nas lentes. a beleza não é, ela se constrói. a beleza não está em, ela mora dentro da gente. o mundo é apenas o objeto dos olhos nossos. e a propósito, o mundo ficou sim mais belo depois de você. estaria a beleza do mundo meu nesse caminho junto ao seu?

domingo, 24 de fevereiro de 2019

a poesia da dor

se for pra doer, que doa bonito, e quer saber, a dor é meu chão. o atalho pra grandes paixões? uma boa dose de dor a dois. quando me apaixonei pela última vez, foi pelo banquete de dor. no primeiro encontro, as primeiras dores compartilhadas, o drama rasgando a pele, a veia dele correndo na minha, a dor me curando da falta de dor. achei bonito o jeito dele de doer. (e só pra não banalizar: é raro uma dor bonita). não fosse a pele, meus órgãos saltariam o corpo, mas a pele os guarda, a pele os reprime e comprime. não sei como minha pele não se fez fenda. as vezes sonho em ser erupção, pra tirar essa larva vulcânica do peito. meu pulmão cresceu desajustado, não cabendo dentro de mim. defeito? respirar sempre me exigiu mais que o funcionamento normal do meu corpo. é, sempre precisei de mais ar que a vida me ofereceu. a premente falta de ar me obrigou a cultivar refúgios, e construir redomas pra me salvar desse sufoco. meu tórax grita por espaço, e assume sua total falta de correspondência com a realidade. verdade é que aqui dentro jaz um mundo bem diferente do lá de fora. aqui dentro dói bonito, dói fantasiosamente, dói em tom de melancolia, poeticamente. agora, e só agora eu admito meu pecado. eu sei que eu venho tentando tirar a dor dos outros, e a minha, sem reconhecer a ferida como composição do fôlego, como sustento diário do sopro. perdão. a dor podia ser seu único ninho, e eu desfiz sua proteção. desculpe por te privar de sua dor em formato de abrigo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

é bonito, é.

é bonito porque em dias de chuva o café tem outro sabor, e dá vontade de traduzir meu mundo inteiro em cartas. é bonito porque a chuva compõe as melhores letras: você é meu oposto, e eu não te vejo no meu espelho. eu nem tento te copiar. inclusive, apontei o lápis e desenhei um caminho em direção contrária a sua. porém, neste mesmo caminho, desenhei sua mão na minha, logo após a trombada das setas. acho que será assim. um des{encontro}. eu tentando voar, e você me puxando pelos pés. eu voarei, mas você me alcançará. as vezes não. vez ou outra guardarei as asas, voltarei ao ninho pra respirar (você). e se eu não te encontrar: queda! ainda assim será bonito porque depois da onda vem o cais, e a vida parece seguir feito um balanço. é bonito porque toda tarde de chuva traz em si seu cobertor. tem feito frio lá fora, mas aqui dentro faz amor. é bonito porque eu não perco essa mania de achar que é bonito.

milhas e milhas distantes

um descuido e percorri milhas e milhas distantes do chão. parei na adolescência, quando os dias aconteciam no meu querido diário. talvez quase nada do que escrevi seja um componente da realidade (pelo menos não dos outros). cresci com essa mania de inventar. era doído ter que abrir os olhos. eu tentava morar lá, mas incontáveis vezes ao dia eu tinha que descer, e aí já não dava pé. voltar nesses castelos feitos de areia me levou ao auge, e em questão de minuto se fez ressaca por ir tão longe e ter que mais uma vez regressar. de tudo, fiquei é em dúvida se houve um dia que eu tenha saído de lá.

uma estrada não tem ponto final. aliás, quando mesmo que as histórias acabam? as ruas não são sem saídas: há sempre um muro cheio de céu. o ...