terça-feira, 10 de novembro de 2009

ele que vê o céu cor-de-rosa

- dormir me salva. me leva pro mundo de lá...
- dormir é fugir da realidade do mundo de cá!
- mas eu não vivo na realidade. vivo em um mundo paralelo, você não vê?
- vejo que você quer viver lá, mas a realidade é que não vive!
- você não pode estragar a fantasia de uma menina. se um dia eu disser que acordei vendo o céu cor-de-rosa você tem que aceitar.
- não! não tenho mesmo! a pedra cai. não pode ser que caia. ela cai. se amanhã eu acordar e ver o céu cor-de-rosa, você vai ver!
- aí você me conta! eu vou querer muito saber.
- mas eu gostaria de ver o céu sabe como? nublado, com uma chuvinha bem gostosa! com meu quarto claro, deitado de baixo do edredon. sem relógio, ou coisa pra fazer.
- o céu mais bonito é quando o sol se despede.
- o céu mais bonito é quando o sol diz oiii.
- mas o pôr-do-sol é muito colorido. e a lua quando se enche? é demais!
- o nascer do sol é tímido. que beleza mais natural. como está a lua hoje? nem vi ainda. deixa eu ver.
- não vou olhar pra ver a lua dos olhos seus. me conta, como é?
- você não vai acreditar, mas ela está escondida pelas nuvens cor-de-rosa.
- ahhh... eu sabia que você também poderia enxergar cores. você é daqueles que olham pra cima então? conheço tanta gente que passa uma vida inteira sem saber falar do céu.
- eu olho porque sou fanático e porque tenho muito medo também. pra mim é uma mistura de beleza com temor! sabe que deu vontade de estar no meio do mar, deitado no chão de um barco olhando pro céu, vendo uma lua gigante...
- ai. vamos?
- dá muito medo! aqui na cidade não vemos muito o céu, mas quando estamos longe daqui dá medo. porque eu sou tão pequenininho que dá medo da grandiosidade e dos mistérios.
- é... dá pra colorir varias páginas com você.
- dá? por que?
- porque você é daqueles que olham pro céu. isso é tão importante... se eu te pedisse você roubaria uma estrela?
- eu sou meio cawboi, você sabe, né? eu laçaria!
- amanhã eu vou pro sitio e ficarei lá uns dois dias... quero me ver um pouco mais. tentar entrar dentro de mim. mandarei notícias pra você...
- conte-me mais sobre te ver um pouco mais? entrar dentro de você?
- é que por aqui tem gente demais e eu fico pouco comigo mesma. eu gosto da minha companhia também. e aqui tem muita coisa me puxando... silêncio é muito bom e eu quero me ouvir.
- sabe o que é bom? tomar um banho e deitar na cama. não enxugar o corpo direito. é um ótimo caminho também. não esqueça dos olhos fechados.
- quero chegar logo lá. tenho um mundo de coisas pra sentir.
- faça isso! se qualquer coisa der errada me liga. um toque vou entender que você não conseguiu. dois toques vou entender que você não está aguentando mais. nenhum toque eu vou entender que você está com você mesma e em paz. então, mesmo se quiser muito me ligar tente estar com você mesma.
- eu estou tão feliz de descobrir você. como você pode entender tão bem uma simples ida pra um sítio?
- eu sou meio doido? assusto no começo, mas depois piora.
- se você não fosse doido eu não teria nem olhado pra você. e se você não piorar eu não olharei de novo.

domingo, 8 de novembro de 2009

é quando a gente vê o sinal vermelho que aceleramos ainda mais...

tudo começou com ele...

o primeiro texto foi dele. não porque eu embrulhei as palavras em papel de cetim. mas porque foi a partir dele que nasceu em mim letras querendo viajar. depois de dois anos lá estava o menino em cima do palco falando de amor. eu olhei nos olhos dele, mas não tive coragem de deixá-lo olhar nos olhos meus. tive receio de não conseguir ser tudo o que eu gostaria de ser pra ele. então me contive em ser uma lembrança de dois anos atrás, daquelas que nem lembra-se mais. perto dele eu fico querendo ser coisas demais e me perco na incapacidade de ser outra coisa que não eu mesma.

me mate

me mate e me deixe com a capacidade de amar. me mate e me deixe somente com a capacidade de amar. me mate e mantenha meu coração. me mate e mantenha apenas a minha vida.

sábado, 7 de novembro de 2009

o céu não é um lugar pra se morar... até mesmo quem tem asas volta para a terra.
tem momentos que eu queria ser apenas metade de mim mesma. só metade já seria suficiente e ainda assim seria um exagero.

sem base

desde que ele passou a existir ela se esqueceu de que também era gente. porque as pessoas não existem sempre na vida das outras. há momentos que elas existem mais e há instantes de total cegueira. e desde que ele existia ela começou a se construir como se pudesse empilhar tijolos dentro dela. no espelho enxergava um castelo, mas toda vez que voltava pra casa tinha a certeza de não ter se quer uma parede. desabava. todas as vezes, e desta vez, para sempre. lembrando que o para sempre dela pode ter a duração de um dia.

montagem

e então ela fez isso. não acreditando nos dias seguintes ela rasgou qualquer possibilidade de frustração. quebrou o amanhã em pedaços bem pequenos e começou a montar o agora desde o começo. colocou nas mãos apenas as peças que se combinavam com as outras. as peças do futuro ela foi deixando pelos cantos...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

no momento nada me faz morrer. e você sabe... eu adoro morrer.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

até mesmo as coisas feias, nele são bonitas