sábado, 29 de setembro de 2012

estações indefinidas

o inverno traz em si a vontade de ser verão, quando a gente se esconde debaixo do cobertor em plena madrugada embrigada de lua cheia.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

beleza antecipada

nossos encontros são lindos, mesmo antes de acontecerem...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

das estrelas que são nossas

constatou então que: as estrelas não somem nunca, mesmo em tempos nublados como os de agora. uma vez vistas elas passam a morar dentro da gente, e apesar de não visíveis pelos olhos, são visíveis pelo coração.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

castelos de areia

quando criança brincava de sentar na areia e construir mundos que se desfaziam com as ondas do mar. desde criança percebia que mesmo as construções mais altas e firmes também desabavam conforme fosse a força dos ventos. percebia também que mesmo quando a areia voltava para a sua forma inicial, os castelos permaneciam na imaginação, e que ainda que não se fizessem reais diante dos olhos, eles continuavam existindo em outros espaços.

domingo, 23 de setembro de 2012

prisão em liberdade

acabei de ver uma entrevista de um juiz federal, que atua no Mato Grosso do Sul. ele trabalha confiscando bens obtidos ilicitamente pelo tráfico. para ele, vivenciamos hoje a 3 Guerra Mundial, porém sem um inimigo declarado, o que dificulta o fim do conflito. há anos ele só anda escoltado, e a última viagem que fez a passeio foi em 2001. ele conta que já não tem vida social. chega sexta-feira a noite do trabalho, e só volta a ver a rua na segunda pela manhã. questionado se acredita que um dia poderá se ver livre da escolta, ele responde que nunca, que já não tem condições psicológicas de abandonar esta proteção. ele tem um livro, no qual ele relata os pesadelos frequentes. a maioria são cenas dele fugindo da escolta, pulando o muro da própria casa.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

caminhada diária

e daí que tiramos os sapatos, e deixamos os pés comunicarem os caminhos conforme as curvas iam pedindo. tudo bem que algumas curvas traziam risco maior de abismo do que de vôo, mas apesar do risco, seguimos, e não tiramos os pés do chão. é bom caminhar assim, com os pés colados em terra firme, isso de flutuar é ilusão, e toda ilusão é distante demais da realidade. então, de tanto seguirmos, chegamos em uma casinha descascada de sol, com meninos correndo em torno dela, com o corpo cor de terra vermelha. a senhora, que na janela estava, acenou pra gente em tom de convite, e nós paramos pra regar o corpo com água bem gelada. a senhora de rugas nos olhos nos perguntou pra onde iámos, e nós, sem pensarmos muito, respondemos que, apesar de endereços, não nos era possível determinar a chegada, nem o destino, nós só queríamos caminhar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

quando a pele nos conduz

falavámos objetivamente de amor, cada palavra soava tal qual frase soletrada, de tão objetivos que éramos. falavámos a medida que o amor acontecia entre a gente, davámos nomes àquilo que a pele dizia. as palavras nos conduziam, e a medida que a gente traduzia o corpo, o corpo traduzia as palavras. assim foi, mas agora é diferente, tanto ele já não é o mesmo, quanto o tempo das letras acelerou. agora a gente fala de amor subjetivamente, a gente é o amor estampado na fala. antes mesmo do amor acontecer, ele já existe nas nossas conversas. agora é o inverso. se antes era escolha, agora é atração.

explosão

e que todo o nosso cuidado nos seja perdoado, e que de agora em diante a gente possa tropeçar no próprio medo encravado na sola do sapato. a gente se assusta mesmo quando se vê diante de anos a frente com alguém que acabou de chegar. você, que apesar de desconhecido, atropela as etapas da relação, e faz explodir antes mesmo de existir espaço. eu deixo, finjo não saber as consequências, na verdade, não sei mesmo, mas a experiência nos remete ao amanhã, mas desta vez, eu prometo, eu deixarei o futuro ser nosso.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

racionalidade do crime

o crime é então a morte do inimigo, é a morte do superego, o inimigo interior. o crime é a tradução da vitória do instinto sobre a lei externa. por isso há que se destacar que o crime é humano, parte de instintos humanos. nesta lógica, os inimigos são parte necessária desta construção, pois o indivíduo existe na medida que trava uma guerra com um semelhante, desenhado como rival. ao inivíduo cabem todas as qualidades, enquanto ao inimigo restam as negações daquilo que habita em si mesmo. para o indivíduo, o inimigo é irracional, o inimigo é transformado em animal, em patologia, e quanto mais abstrato o inimigo for, maior ele será, perdendo os limites da concretude. o inimigo é o próprio indivíduo em outro corpo. é a prova concreta daquilo que não se aceita em si mesmo. é o estilhaçamento do espelho. mata-se a si mesmo no outro. a arma apontada atira contra si mesmo. assim, o indivíduo se faz vítima, e colocando o outro enquanto inimigo justifica a violência, transpondo-a do superego para a realidade.

domingo, 2 de setembro de 2012

necessidade básica

para a sua primeira casa levou boa parte da sua história nas letras dos discos de vinil cifradas de rock, guardava as músicas em ordem alfabética pra facilitar o encontro do desejo com a voz do cantor, isso era quase tudo o que tinha na casa, e a princípio, me pareceu muito suficiente.