terça-feira, 29 de maio de 2012

dos times que os poros sentem

trocar de time é como trocar de pele.

domingo, 27 de maio de 2012

tempos modernos que não são meus

os cantores não criam letras, eles reproduzem o cotidiano nas cifras e emprestam os olhos para as músicas. o funk não é invenção de um autor, ele é retrato, é a expressão de um povo. cantar alivia, porque se diz sem autoria. só peço cuidado para as palavras ditas sem remetente. estou com dificuldade em escolher a minha trilha sonora. o meu paladar tem alterado os sabores dos sons, e meu corpo parece não reconhecer certas composições. dançar não é mais inevitável. eu me perco na fronteira. acho que estacionei num tempo de amores pintados em praças, e não consigo me adaptar a casualidade dos amores de um dia só. acontece que as músicas me deixam invisível, e o que busco não encontra terreno fértil. e eu que sou toda feita de pele, torno-me insensível aos discursos contornados de modernidade.

terça-feira, 22 de maio de 2012

que se multipliquem as Xuxas!

enquanto imperar o silêncio a sensação de que nada acontece continuará prevalecendo. se hoje existem mais denúncias de violência doméstica não é necessariamente porque um número maior de mulheres é violentada. a medida que o assunto é debatido, e que o Estado cria formas de garantia de direitos e proteção à estas mulheres, as denúncias também aumentam. agradeço imensamente pelo depoimento da Xuxa, ao abrir as cortinas de uma janela que pouco se revela. o abuso sexual contra crianças e adolescentes é muito comum, ao contrário do que se pensa. porém, enquanto este assunto for mantido como segredo, nos porões da culpa, pouco poderemos avançar.

domingo, 20 de maio de 2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

espaço

neste mundo nosso há espaço de sobra pra eu me esticar inteira, sem faltar qualquer pedaço, dá pra respirar sem faltar fôlego.

terça-feira, 15 de maio de 2012

nada é absoluto

em toda verdade há um quê de mentira

terça-feira, 8 de maio de 2012

recado

no passado não cabem rasuras

segunda-feira, 7 de maio de 2012

a primeira vez depois da última

enquanto eu não deixava o samba morrer, você guardava seu corpo entre os cantos da cadeira, eu me exibia inteira pra você em curvas vindas da música que me transbordava, você me via, e eu refletia, seus olhos custavam a encontrar os meus, você me contou do risco que corria ao espacar, ainda que por segundos, um passeio pelas minhas retinas, você que se dizia fogo, mas tinha medo de soltar faísca, movido pelo falso desejo de ver a lua, você me convidou pra respirar com um pouco mais de liberdade, eu te contei que a gente não precisava ir tão longe, que eu gostava mais dos destinos próximos, então misturamos nossos cheiros, eu querendo a sua poesia, e você sugando os meus instintos, você me contou segredos que eu nunca ousei revelar, e por mais que você me concedesse a fala, eu não conseguiria continuar a frase, fiquei ali tentando, em vão, apagar o seu incêndio, mas não haveria água suficiente, não sei ainda porque não entrei na fogueira, acho que foi por receio de me queimar.