segunda-feira, 31 de agosto de 2009

- trabalhos estão aparecendo... e cada mês... mais que o outro...
- tudo por culpa dos seus olhos, que olham e fotografam tudo.
- não... nem sou assim ainda... mas quero ser... aliás, tento ser. mas não pelo ego ou pela emoçao, não pra ser o melhor do mundo, mas pra ouvir você dizer que a culpa são dos meus olhos

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

então você precisa se machucar mais. não com cicatrizes, mas com pétalas bem macias. daquelas que fazem chorar, tal é a beleza delas... deixe-as cortarem você.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

dúvidas

pai,
eu não sei se planto mais flores
ou se cuido daquela árvore, que já não cabe no meu abraço...

mãe,
eu também não sei se moro no seu colo
ou se mudo pra qualquer outro lugar que seja maior do que o meu tamanho
"Alguém conta a minha história
E alguém mata os personagens..."

sem tempo pra pensar

ocupada. não tinha tempo pra estimular pensamentos. senti tanta inveja dela. daquele trabalho chato de organizar o que os outros deixavam fora do lugar que ela havia escolhido. se começasse com a letra A ela não via razão pra que se juntasse aqueles cujas iniciais eram a letra D. as letras também querem se comunicar, eu pensava. mas ela se ocupava assim. não deixava nenhuma inicial conversar, mesmo que rapidamente, com outra que fosse diferente dela. passava o dia carregando letras, organizando o universo das palavras. eu invejei o quanto ela era sistemática e não deixava sobrar nem dez segundos para ir ao banheiro. eu só queria poder pensar em qualquer outra coisa que não fosse esta que me ocupa agora. desejei que fosse minha a falta de tempo dela.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

e de todas as coisas é do mundo a que eu tenho mais medo. dos olhos do mundo.

como se criam as garras

a gente não pode colocar o mundo inteiro dentro do mesmo frasco de perfume. o mundo inteiro não é a mesma coisa. mas é difícil separar qualquer cheiro. eles se misturam, se confundem. mas não são um só. já não se pode acreditar em qualquer par de olhos caminhando pelas areias de uma praia. não são todos que afundam os pés nos grãos pra fazer parte da natureza. tem gente que é animal. e sendo assim, obriga quem tem coração a criar garras mais afiadas que a realidade.

domingo, 23 de agosto de 2009

vontade de gritar

pela primeira vez o silêncio. vidro com cor. sem transparência. guardava debaixo da areia, bem no fundo do oceano, o segredo. mas mar que é mar tem onda, não importa o tamanho. e onda balança tudo, até a areia debaixo da água. por mais que ela cavasse esconderijos bem fundos nenhum permanecia intocável pela inconstância do vento.

tempo da dor

agora era gado. marcado. com memória, por tantas vezes falha, findada à lembrança permanente. olhava os rostos na rua e se perguntava qual era a cicatriz de cada um, mas sabia que poucos carregavam tanto peso. ela tentava diluir tudo nas flores que costumavam colorir os dias, mas faltava desabrochar. era o começo da primavera e as pétalas ainda estavam de portas trancadas. dor também precisa de tempo, concluiu então a menina.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

se alguém ao menos pudesse responder. explicar a razão de marcas tão profundas em uma pele que ainda era de bebê...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

que mania é essa nossa de sorrir para uma máquina? só pra congelar horas numa boca cheia de dentes forçadamente a mostra.

quanta saudade de antigamente

pequena na idade e no tamanho a menina crescia. eu quis pedir a ela para deixar de aprender as fórmulas de matemática e para não se preocupar com o "x" que faria na prova do vestibular. tive vontade de dar uma tesoura, todas as cores do universo e um pano branco pra ela se inventar nele. quis que ela tirasse aquela roupa de menina comportada e que ela bagunçasse ao menos sete fios de cabelo. esperei ela correr entre as tantas mesas dispostas naquele restaurante, mas ela prendia na imaginação os pés deslizando nas partes mais altas das cadeiras. havia muito a se criar. era uma menina. pequena. mas já não era criança. talvez fosse. moderna? sinto como se eu fosse uma senhora com os meus 90 anos sentindo falta dos tempos antigos, de meninos pequenos brincando de coisas pequenas na areia que contorna os muros do mundo.

lágrima com cor

as cores enfeitam demais. o menino chorava atrás do mundo que ele não queria que o visse. chorava sem medir, até soluçava. em voz alta dizia os sentimentos que as lágrimas não podiam. mas ele vestia uma camisa amarela. naquele tom que eu disse que teria pudores em usar. um amarelo cor de todas as cores. eu olhava e parecia que as lágrimas secavam com o sol que refletia da malha viva. tudo se confundia com felicidade. eu não conseguia achar triste um menino de cabelo enrolado chorando lágrimas douradas.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

ela namora vários homens, mas eu não vejo vários homens namorando-a.

sábado, 15 de agosto de 2009

do amor que ele dá a ela eu pego aquilo que sobra e guardo tudo pra mim. alfinete. bacia furada.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

coloquei açúcar na dor e achei que era doce. mastiguei tudo. até virar felicidade.

saídas

sair é necessário. pra ver cristais em pedaços de velas derretidas. as mãos dele também eram macias, apesar da falta do toque. há texturas que sentimos pelos olhos, sem ser preciso realidade. sair é necessário. pra deixar a dor nas prisões sem janelas. sem ponte pra chegar até a gente. ele entendia o que eu dizia. completava a complexidade. pelo retrovisor do carro. eu podia ver só os olhos. e via ali tudo o que era necessário. pra sair.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

as flores não podem ser maiores que ela.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ela sabe o que diz

"eu amo essas pequenas coisas, tipo você me dar um final de semana. cada vez mais eu valorizo essas gentilezas pequenas. uma palavra na hora certa, uma gentileza, uma lembrança, uma mensagem. é isso que faz diferença."

domingo, 2 de agosto de 2009

leitura do destino

deitou o corpo à alguns metros do mar. os grãos de areia desenhavam o seu formato logo abaixo da pele. ajeitou-se de lado, de modo que pudesse ver terra, água e céu. nesta posição ela enxergava quase tudo sem precisar sair do lugar. sentiu vontade de dividir aquele silêncio com alguém. as gotas do oceano chegaram até seus olhos, derramando fios de água salgada pelas maçãs do rosto. ela sorria. o sol fazia nela algo como lar. sentia-se protegida. sabia que as pessoas não poderiam ser possuídas. ela não encontraria alguém pra ser dela. teria apenas momentos de cada um. com toda a sua jovialidade conseguia prever as rugas com o dedo sem alianças. não conseguiria colocar alguém dentro de uma caixa com tampa fechada. e também não saberia viver dois dias sem destruir por completo as paredes. esse era seu destino. ser passageira de vidas inteiras. eterna, por consequência.

sábado, 1 de agosto de 2009

"liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome"

um corpo com curvas de pincel. com desejos pra noites inteiras. um corpo pra ser visto. pra se colocar na janela do mundo. um orgasmo da alma. a concha mais funda de qualquer oceano.

gente grande

você fala como gente grande. pensa que já é mais velho, porque os anos que viveu já não cabem nos dedos das mãos. mas você nunca me falou do carinho de um vento debaixo dos seus fios de cabelo. mesmo assim acha que é grande. corre quando os ponteiros do relógio se movem. arruma a embalagem sob a cama todos os dias bem cedo. usa sempre uma armadura debaixo dos pés. evita o contato. o desgaste. você não deve gostar das rochas que existem no calcanhar dos meus pés. no seu banheiro há vários tipos de creme, um pra cada centímetro de pele. e eu não uso nada. é só a água que me lava. aposto que você se acha mais limpo do que eu. e maior também. eu não sei. mas não gosto mesmo deste tipo de grandeza.

a outra parte de mim

pode acreditar: eu sou duas. no mesmo instante que eu vivo eu me observo. sou a espectadora perfeita. sento na poltrona da platéia e não saio mesmo após o fim do espetáculo. eu sei. depois que as cortinas fecham ainda acontecem grandes capítulos. e eu observo. esta parte de mim não pisca os olhos. enxerga as asas de um pássaro indo e vindo fazendo-o dançar no ar. conta as batidas. percebe quando o vôo é mais lento. nada passa. aliás, fica muita matéria pra trás. mas as explosões ficam retidas, nas retinas. assim, há uma parte que olha e outra parte que olha pela segunda vez. diante do mundo eu permanentemente me analiso. sou personagem. a realidade é a minha observação. sou objeto empiríco dos meus desejos. escrava das possibilidades. submissa a qualquer gota de loucura.