sábado, 16 de setembro de 2023

meu primeiro amor ~ depois de tantos.

de tantas idas e vindas, ficamos ~ em nós. de lá pra cá, deixamos o itinerário errante e criamos margens para nossos afluentes. plantamos sementes em nossa orla, às custas de certa escuridão, própria de escolhas desejantes. mirar o desejo provoca redemoinhos em corpos acostumados a ceder a narrativas históricas vestidas de futuro. o desejo costuma estar bem ali - nas sombras. corajosos, encaramos nossos mistérios, e entregamos nosso desejo ao sol. colocamos luz na partícula necessária. 

te vi voltar de lá com outro nome, sobrenome e endereço. te desconheci ao te reconhecer ~ ao meu lado. parei de precisar lhe procurar, você enfim aterrizou. senti você cavando raízes dentro de mim, se apropriando dos meus tempos verbais. meu desejo encontrou você como realização. acho que esse é o sonho de todo desejo: achar na vida a própria sorte. fazendo-se de trevo, você virou minha prece. só eu sei como são meus dias depois de você, meu primeiro amor.   

não se assuste por ser o primeiro, depois de outros. a existência precede a essência - já diria você, o que também disse Sartre. 


70 anos e sonhando...

 sonhos, os seus, não envelhecem. não porque sejam eternos - mas porque são renováveis, e mudam de cor.  sonhando desde sempre, você não foi...