quarta-feira, 31 de outubro de 2007

pro dia nascer feliz...

pro dia nascer feliz não é preciso muita coisa
acredito que cada um pode criar o mundo que vive
e transformá-lo numa casa de chocolates, coberta por caramelo.
as águas podem ser mel, com pedras recheadas de amora.

os problemas do mundo?
a ausência de culpados é um incômodo
já que é natural do ser humano buscar a exatidão
como se pra cada metade houvesse outra parte que a pudesse completar
mas pra mim, a filosofia da vida não faz parte da matématica

a sensibilidade desse documentário fez lavar meu rosto
permanecendo apenas as batidas permanentes do lado esquerdo do peito

e pensar que todos nós vivemos no mesmo mundo
o mesmo Sol que nasce pra mim é aquele que brilha a quilômetros de distância
o estranho é que apenas alguns conseguem enxergá-lo
é essa capacidade de ver através da tela concreta que me faz arrepiar

acreditem: há vida onde quer que se esteja...
há vida nos milhões e nos centavos
há vida com máquinas e barquinhos de papel

a vida... depende apenas da alma.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

minha terceira perna

Esse texto da Clarice Lispector fez remexer a minha memória, trazendo lembranças de um sonho bom... foi um sonho, mas já não existe mais... nem o homem, nem a mulher, nem o sonho.
é para você... Bernardo...

"... Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

marina





Perguntei a uma menina linda de olhos verdes o que ela queria ser quando crescer. Sem medo da pressão do tempo ela rapidamente respondeu que não sabia e voltou ao que estava fazendo antes. Aos oito anos de idade Marina não tem medo da vida. Coloca em prática tudo aquilo que a imaginação manda.

Marina é uma pequena garota com a força de grandes mulheres. Marina não tem receio da vida. Esta menina, ainda tão pequenina, desconhece qualquer aspecto ruim deste mundo. Com sua inocência ela caminha por entre vários corações, que ficam apertados em ver que sua passagem é tão instantânea. Marina é uma mulher do mundo. Não é de ninguém. Nenhum ser será capaz de segurar os anseios desta pequena criança...

crianças

- Eu quero sorvete de morango... de baunilha? Ah, quero de chocolate... mas pode ser misto – disse a menina.
O pai confuso ficou sem saber afinal qual sorvete a filha queria. Ele não soube entender que crianças acreditam que podem ter o mundo nas mãos...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

beijos

Pra mim um beijo vale muito. É mais do que o simples encontro dos lábios.
Pra mim um beijo pressupõe sentimento. É sempre mais do que simplesmente atração.
Pra mim um beijo sela um começo. É a origem de várias pulsações.

Se não for assim um beijo não faz sentido.

Tem que causar efeitos.
Um beijo de verdade me faz ver estrelas entre quatro paredes, sem a mínima fresta de luz.
Faz-me perder o ar, numa busca incessante de fôlego sempre insuficiente para recuperar a minha atmosfera imaginária.
É essencial que segurem meu corpo envolvido numa camada de sensações lúdicas que se tornam ponte real pra outro universo.
Meus olhos fechados mergulham no daquele homem capaz de tranformar um beijo numa fusão de corpos.

Se não for assim... realmente não faz sentido.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

as borboletas são realmente lindas...


As borboletas nunca param... a não ser para ver o mar, uma imensidão disposta assim... naturalmente... as borboletas são lindas. cada uma com seu colorido único... pinceladas de cores vivas que fazem da beleza um espetáculo! borboletas são pequenas no tamanho, mas são gigantes na existência... pura essência... têm os vôos mais lindos e mais sensíveis... amo cada movimento dessas lindas borboletas...


"O simples vôo de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo"
Teoria do Caos

conhecer

Sinto-me incomodada quando alguém não é capaz de sentir os fluídos desse mundo... quando alguém não consegue usar os sentidos para absorver os bons ventos. Quando me perguntam sobre o meu objetivo nessa vida eu respondo imediatamente: conhecer!

Meu pulmão respira para transpirar novos aromas, sempre novos porque nos tranformamos a cada fração de segundo. Não suporto a idéia da rotina, de objetos duros e com pontas. Nossas decisões não são tão nossas assim... é preciso enxergar além da janela que nos separa da rua, ali, logo a nossa frente... Reconheço que os corações pulsam de verdade, mas acredito que existam energias no ar que superam a nossa humilde capacidade de alterar o curso das águas. Por isso, se eu pudesse dar um conselho hoje diria para não buscar dar forma a algo que nasceu para ser suave, feito as ondas do mar...

Apenas sinta as vibrações...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

encontro com as estrelas




Sexta-feira, dia 28 de setembro. Data que marcou o início da minha liberdade, de certa forma aprisionada. Em meio a uma beleza natural eu selava o começo de uma história lúdica. O encontro dos corpos travava meus planos... e tudo passava passava a ser espontâneo. Foi na Praça do Papa onde tudo aconteceu. Na mochila eu carregava toda a minha imaginação e assim fiz de um lugar público um pouquinho privado. Sentados na grama o tempo parecia ser eterno... os olhos perdidos entre tantos encantos naturais, raros numa cidade quase completamente modificada pelas mãos humanas. Deitado no meu colo eu pude cuidar daquele homem que não era de ninguém, mas era meu naquela noite. Meu olhar fitava-o sem perder o ritmo sereno de sua respiração e sem deixar fugir nenhum movimento da pele... os cabelos enrolados eram mesmo de anjo, porque não podia ser homem aquele que falava do vento como quem fala da água. E isso é certo: era de porcelana o seu corpo... o sopro frio causava efeitos na camada fina que envolvia o seu corpo, camada fina que tornava simples a chegada à alma...

E feito passarinho dormiu nos meus braços... eu nunca saberei explicar a sensação de vê-lo vagar com os olhos fechados e a respiração ofegante... como se o sono o levasse pra algum lugar distante do chão... Quis ser a cama mais macia, de forro leve e acolhedor. Um veludo azul... Prendia o meu fôlego para sentir o seu. Enquanto dormia a água desceu dos céus e molhou a cidade ávida por umidez. Quando acordou me fez estátua encostando os seus lábios no meus. Foi assim, de repente, transparante... ele me beijou me levando ao meu maior vôo. Em questão de segundos estava nas estrelas... estava nas nuvens, naquelas mais altas do céu.

Desejava que este momento durasse para sempre, assim como eu acreditava ser na minha infância. Na sua casa fiz você dormir, mas meus olhos cotinuavam fixados em você... Não adormeci... Foram mais de 24h acesa, pena que era vela e eu sabia que uma hora se apagaria... Despedir de você foi complicado... é como um rio que se despede do mar... e com um até logo você se foi... porque "nenhum aquário é maior do o mar".