domingo, 27 de novembro de 2011

medo de amar

- tem gente com medo do amor, menina, pode isso? tem gente com medo de subir a montanha e faltar o para-quedas na hora do vôo...
- acho que o passar dos anos nos deixa com medo de altura... é que depois de tantas quedas, os ossinhos ficam meio fora do lugar, acho que isso envolve também aquele espaço onde fica o coração... será?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

alerta!

a proximidade realça as diferenças. perigo eminente!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

dos amanhãs que desconheço

abri os planos dobrados em folhas velhas no fundo da gaveta, os cantos do futuro estavam encardidos, já amarelados pelo tempo ultrapassado, as projeções quase sempre se perdiam ali, num pedaço de papel, difícil era programar o dia de amanhã, tal qual máquina que pressupõe desenvolvimento tecnológico, não eram bem esses os meus desejos, não buscava nada que eu pudesse traçar em datas do calendário seguinte, até tentava, até parecia verdade a minha tentativa, mas bastavam brisas de realidade pra desmanchar toda a suposta tentativa, a minha estrada não constava nos mapas, não existiam os caminhos, e eu costumo ter pavor dos limites impostos por endereços delimitados, o pior é que eu chego a morrer toda vez que me obrigam a criar setas e construir ninhos verticais, tenho medo da sobrevivência quitada nos contra-cheques, receio diriamente a minha sujeicão ao capital, tenho tanto medo do amanhã que talvez por isso evite exageradamente a sua projeção.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

lenda viva

esbarrei com seu universo entre a multidão de idas e vindas do Centro, que bom encontrar você despretenciosamente, você não poderia ter deixado de vomitar toda sua angústia permanente das peças que não se encaixam no seu quebra-cabeça, eu um pouco atrasada em função da corrida desenfreada dos ponteiros tentei guardar o máximo de você naqueles minutos de conversa saudosista, descarreguei toda a minha versão de você e me fiz declaração, é muito importante materializar o sentimento, pra torná-lo realidade, amor batendo dentro do peito acontece só dentro de mim, mas amor expresso através do abraço das letras e do encontro dos olhos acontece pra quem quer que seja...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

co-dependência da liberdade

incoerente era constatar que sua embriaguez não o distanciava da sobriedade, colocava-me a espera do momento de ruptura entre os estados, mas a distinção não acontecia, tal foi a minha conclusão de taxá-lo como um bêbado permanente e descobrir o efeito do álcool como complemento da sua sensatez, os efeitos descritos cientificamente não se (in)corporavam nas suas ações, apesar de não podermos negar a dependência da relação, você verbalizava a necessidade de transpor para a bebida os seus instantes de liberdade, porém não percebia o quão livre já o era sem os copos de escravidão, o pior me ocorreu quando me tornei co-dependente deste estado psicológico isento de restrições, inventavámo-nos nas ousadias decorrentes da embriaguez que não se desenvolvia, tornavámo-nos inocentes da nossa própria culpa, ganhavámos imunidade, permitíamos qualquer concretização de desejos, e nos instantes seguintes você brindava com pinceladas inesquecíveis de realismo, perdia por minutos os pares de asa e se recolhia inteiro no meu ninho, então eu abraçava você até preencher todo o seu medo, e não demorava muito até você alçar vôos ainda maiores.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

mês 11

novembro, doce, véspera de dezembro, quase ano que vem, adoro esse tempo entre o passado e o futuro, sensação gostosa de poder pegar páginas em branco e escrever outras histórias.