sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

em 2008...

pela manhã escureço
pela noite amanheço
sou o inverso
o avesso do incerto
se me vires com cor de mar, olhes mais uma vez
porque de segundo em segundo os pincéis se movimentam
e a imagem refletida se transforma
sempre em outra e talvez sempre na mesma
sou a prova de que um rio nunca é banhado pelas mesmas águas

quero ser enfermeira, mas sou jornalista. Pelo menos tenho o diploma...
talvez eu faça pedagogia, assim ficarei mais próxima do mundo que mais admiro: o das crianças.
comecei a fazer direito. tive que parar. outros sonhos atropelaram este.
vou pra África em 2008. quero conhecer meus limites, desvendar a minha alma... me descobrir.
na verdade quero ser mais do que ter...

nesse ano iniciei vários projetos... instabilidade pode resumir bem a minha cabeça nesses 12 meses que passaram.
não houve conclusões... tudo ainda está para acontecer.
e ainda que algo se realize espero jamais chegar perto do final.

o esperado, porventura o ideal seria pedir mais certeza por eu ser tão volúvel
porém, pensando bem... quero mesmo é ter ainda mais dúvidas.
cada vez mais dúvidas...
e que o questionamento seja meu pensamento constante.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

flores

não se engane com as flores
porque até mesmo as flores têm espinhos

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

feliz natal

A parte material já foi entregue, embrulhada em formosos pacotes deixando os olhos ansiosos pelo conteúdo.
Deixo pra agora aquele presente que não se pode medir.
os números não alcançam a sua imensidão...
Quando os ponteiros se encontrarem na parte mais alta do relógio eu quero poder entregar tudo isso que há dentro de mim...
mas desta vez não haverá embrulhos... nem a beleza vista a olho nú... estética invisível... pra encher os corações de lágrimas.
é assim que eu quero preencher o saco do papai-noel
e desta vez ele virá... e vai chegar com os olhos brilhantes
como quem sabe que pode dizer muito mais pela linguagem muda do olhar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

tempo, tempo

hoje eu queria apresentar um grande amigo meu: o tempo.
ele me faz e refaz a todo instante.
ao seu lado me transformo em água.
hora em meio a um rio calmo, onde se pode ouvir facilmente a música da natureza.
hora misturada a ondas fortes quebrando a areia, que de tão enérgicas tornam os grãos ainda mais finos.
e com o tempo a peneira já não absorve impurezas...
fica tudo puro, límpido, feito rio virgem.

todos deveriam conhecer o tempo.
a resposta pra muitas das nossas inquietações e a pergunta pra maioria das nossas acomodações. é o museu do futuro.
quando ele começa a falar eu imediatamente paro pra ouvir. é sábio.
sabe como cicatrizar feridas abertas, que não param de jorrar sangue.
e sabe como ninguém tranquilizar nossos nervos, capazes de arrepiar os fios do corpo.

o tempo é meu guia...
mas nem por ele eu vendo por completo os meus olhos
as vezes não sei escutá-lo e minha ânsia é mais veloz que seus ponteiros do relógio
afinal, cada um faz seu tempo...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

vai entender os corações... as vezes tão imaturos pra viver sentimentos intensos

sábado, 15 de dezembro de 2007

em busca de um milagre

Agora posso tocar a Lua com todo o meu corpo
flutuo entre as pontas das estrelas num azul degrade
meu chão é meu céu
renasce nos meus poros a chama sempre tão esperada

Eu sinto: milagres existem
e sei: eles nada são além de sonhos que não acreditamos
confiar naquilo que não vemos é um dom
e é isso que procuro com toda a minha alma

Agora entendo que a mãe onipresente está ao meu lado
pra ser mais exata: dentro de mim
num lugar que permanece agitado com as batidas da vida

Quem diria que o grande segredo é a fé
a certeza de que no ar estão os maiores mistérios
e descobrir isso é como estar em uma tempestade de bons ventos...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

quando seus olhos se fecham

O meu medo é quando os seus olhos se fecham e você impede a presença de outras pessoas nessa viagem. Os pensamentos já não lhe pertecem e começam a vagar pelas possibilidades de um passado diferente. Pelos passos em outra direção, pelas atitudes contidas no imaginário, pelo som ainda guardado na memória. É nesse momento que eu quero estar ao seu lado pra confortar suas mãos, tão sedentas de outras para protegê-las. Eu estarei sempre ali...

Só agora, após uma semana eu consigo externar a minha angústia. Se quer as palavras conseguiram ser o meu refúgio. Eu precisei cavar a terra até o meu interior pra absorver a luz necessária pra dar continuidade ao sorriso da minha menina. Sinto forças no ar, quase posso pegá-las, porque têm forma e cor. A imagem é da mãe onipresente.

E aqui estou... buscando forças pra ser a força do mundo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

pra minha irmã além do sangue: Tati

"Há de surgir uma estrela no céu,
cada vez que você sorrir
Há de apagar uma estrela no céu,
cada vez que você chorar
O contrário também, bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar, quando a lágrima cair
Ou então de uma estrela cadente se jogar
Só pra ver a flor do teu sorriso se abrir"

terça-feira, 20 de novembro de 2007

o que é isso que chamam de amor?

bendita a hora que inventaram de definir o amor
pra me deixar com os pensamentos acesos
questionando aquilo que balança dentro de mim
não era pra ser assim
era apenas pra se sentir
sem essa de querer definir
mas a gente é cheio de certezas, tão incertas na própria natureza
e o que será então tudo isso que flutua por aqui?
por favor, não me pergunte...
isso não é pra saber... pra responder com palavras que são nada mais que letras tentando exprimir alguma coisa
isso é pra você sentir no tempo da rosa que está prestes a desabrochar...
ali no campo da imaginação... o espaço mais fértil que há pra se sonhar...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

corpo que fala



tudo bem que cada um sinta a sua maneira
mas quando eu ouço uma música meu corpo deixa de ser meu
e se transforma em melodia
acompanha as ondas do ar
e o mais gostoso é que ele permanece no ar...


tristeza?

uma coisa eu sei: já não sei ser triste.
não acompanho mais a minha dor,
que evapora quase sem nem fazer efeito...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007


você, passarinho...

homenagem a gente faz pra poucas pessoas
e a faz em poucos momentos
esse é um deles
um daqueles instantes que nos vemos roubados por um grito sufocado
na vida tem pessoas que podemos escolher
são pessoas que nos identificamos pelo tom da dança
pela coreografia mágica que o corpo compõe a cada batida...
cada uma dessas pessoas que escolho também compõe o meu ritmo
que deixa de ser meu pra se tornar de todos... e de ninguém

a mich é uma irmã que eu escolhi pra me acompanhar
pra ser testemunha da minha história
pra assistir da torre mais alta do céu os meus sonhos...

amigos... são minas inesgotáveis de riquezas
não é preciso suor pra encontrar o ouro...
basta a sensibilidade

minha passarinha, com asas de gavião...
hoje peço que fique um pouco aqui...
debaixo das minhas asas de borboleta
que é pra eu poder cuidar de você
e pra você perceber que quando as asas estão abertas os vôos são ainda maiores
maiores e melhores...

só não se esqueça que para voar é preciso tirar os pés do chão...
dessa falsa terra que nos segura...


amo você...
mais que as borboletas...

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

pro dia nascer feliz...

pro dia nascer feliz não é preciso muita coisa
acredito que cada um pode criar o mundo que vive
e transformá-lo numa casa de chocolates, coberta por caramelo.
as águas podem ser mel, com pedras recheadas de amora.

os problemas do mundo?
a ausência de culpados é um incômodo
já que é natural do ser humano buscar a exatidão
como se pra cada metade houvesse outra parte que a pudesse completar
mas pra mim, a filosofia da vida não faz parte da matématica

a sensibilidade desse documentário fez lavar meu rosto
permanecendo apenas as batidas permanentes do lado esquerdo do peito

e pensar que todos nós vivemos no mesmo mundo
o mesmo Sol que nasce pra mim é aquele que brilha a quilômetros de distância
o estranho é que apenas alguns conseguem enxergá-lo
é essa capacidade de ver através da tela concreta que me faz arrepiar

acreditem: há vida onde quer que se esteja...
há vida nos milhões e nos centavos
há vida com máquinas e barquinhos de papel

a vida... depende apenas da alma.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

minha terceira perna

Esse texto da Clarice Lispector fez remexer a minha memória, trazendo lembranças de um sonho bom... foi um sonho, mas já não existe mais... nem o homem, nem a mulher, nem o sonho.
é para você... Bernardo...

"... Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

marina





Perguntei a uma menina linda de olhos verdes o que ela queria ser quando crescer. Sem medo da pressão do tempo ela rapidamente respondeu que não sabia e voltou ao que estava fazendo antes. Aos oito anos de idade Marina não tem medo da vida. Coloca em prática tudo aquilo que a imaginação manda.

Marina é uma pequena garota com a força de grandes mulheres. Marina não tem receio da vida. Esta menina, ainda tão pequenina, desconhece qualquer aspecto ruim deste mundo. Com sua inocência ela caminha por entre vários corações, que ficam apertados em ver que sua passagem é tão instantânea. Marina é uma mulher do mundo. Não é de ninguém. Nenhum ser será capaz de segurar os anseios desta pequena criança...

crianças

- Eu quero sorvete de morango... de baunilha? Ah, quero de chocolate... mas pode ser misto – disse a menina.
O pai confuso ficou sem saber afinal qual sorvete a filha queria. Ele não soube entender que crianças acreditam que podem ter o mundo nas mãos...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

beijos

Pra mim um beijo vale muito. É mais do que o simples encontro dos lábios.
Pra mim um beijo pressupõe sentimento. É sempre mais do que simplesmente atração.
Pra mim um beijo sela um começo. É a origem de várias pulsações.

Se não for assim um beijo não faz sentido.

Tem que causar efeitos.
Um beijo de verdade me faz ver estrelas entre quatro paredes, sem a mínima fresta de luz.
Faz-me perder o ar, numa busca incessante de fôlego sempre insuficiente para recuperar a minha atmosfera imaginária.
É essencial que segurem meu corpo envolvido numa camada de sensações lúdicas que se tornam ponte real pra outro universo.
Meus olhos fechados mergulham no daquele homem capaz de tranformar um beijo numa fusão de corpos.

Se não for assim... realmente não faz sentido.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

as borboletas são realmente lindas...


As borboletas nunca param... a não ser para ver o mar, uma imensidão disposta assim... naturalmente... as borboletas são lindas. cada uma com seu colorido único... pinceladas de cores vivas que fazem da beleza um espetáculo! borboletas são pequenas no tamanho, mas são gigantes na existência... pura essência... têm os vôos mais lindos e mais sensíveis... amo cada movimento dessas lindas borboletas...


"O simples vôo de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo"
Teoria do Caos

conhecer

Sinto-me incomodada quando alguém não é capaz de sentir os fluídos desse mundo... quando alguém não consegue usar os sentidos para absorver os bons ventos. Quando me perguntam sobre o meu objetivo nessa vida eu respondo imediatamente: conhecer!

Meu pulmão respira para transpirar novos aromas, sempre novos porque nos tranformamos a cada fração de segundo. Não suporto a idéia da rotina, de objetos duros e com pontas. Nossas decisões não são tão nossas assim... é preciso enxergar além da janela que nos separa da rua, ali, logo a nossa frente... Reconheço que os corações pulsam de verdade, mas acredito que existam energias no ar que superam a nossa humilde capacidade de alterar o curso das águas. Por isso, se eu pudesse dar um conselho hoje diria para não buscar dar forma a algo que nasceu para ser suave, feito as ondas do mar...

Apenas sinta as vibrações...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

encontro com as estrelas




Sexta-feira, dia 28 de setembro. Data que marcou o início da minha liberdade, de certa forma aprisionada. Em meio a uma beleza natural eu selava o começo de uma história lúdica. O encontro dos corpos travava meus planos... e tudo passava passava a ser espontâneo. Foi na Praça do Papa onde tudo aconteceu. Na mochila eu carregava toda a minha imaginação e assim fiz de um lugar público um pouquinho privado. Sentados na grama o tempo parecia ser eterno... os olhos perdidos entre tantos encantos naturais, raros numa cidade quase completamente modificada pelas mãos humanas. Deitado no meu colo eu pude cuidar daquele homem que não era de ninguém, mas era meu naquela noite. Meu olhar fitava-o sem perder o ritmo sereno de sua respiração e sem deixar fugir nenhum movimento da pele... os cabelos enrolados eram mesmo de anjo, porque não podia ser homem aquele que falava do vento como quem fala da água. E isso é certo: era de porcelana o seu corpo... o sopro frio causava efeitos na camada fina que envolvia o seu corpo, camada fina que tornava simples a chegada à alma...

E feito passarinho dormiu nos meus braços... eu nunca saberei explicar a sensação de vê-lo vagar com os olhos fechados e a respiração ofegante... como se o sono o levasse pra algum lugar distante do chão... Quis ser a cama mais macia, de forro leve e acolhedor. Um veludo azul... Prendia o meu fôlego para sentir o seu. Enquanto dormia a água desceu dos céus e molhou a cidade ávida por umidez. Quando acordou me fez estátua encostando os seus lábios no meus. Foi assim, de repente, transparante... ele me beijou me levando ao meu maior vôo. Em questão de segundos estava nas estrelas... estava nas nuvens, naquelas mais altas do céu.

Desejava que este momento durasse para sempre, assim como eu acreditava ser na minha infância. Na sua casa fiz você dormir, mas meus olhos cotinuavam fixados em você... Não adormeci... Foram mais de 24h acesa, pena que era vela e eu sabia que uma hora se apagaria... Despedir de você foi complicado... é como um rio que se despede do mar... e com um até logo você se foi... porque "nenhum aquário é maior do o mar".

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

o pequeno príncipe

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste.
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa.
- Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou à sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que serão diferentes dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa então se calou e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. O homem não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga cativa-me! Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
E continuou:
- Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."


Autoria de Antoine de Saint-Exupèry - retirado do livro "O Pequeno Príncipe"

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

jornalismo

Nasci feito papel em branco. Já tinha alma, é verdade, mas no começo parecemos todos iguais. Aos poucos fui tomando forma e sendo formada, pois não há como fugir disso. Hoje sou um papel rabiscado, mas com grande parte a ser preenchida. Linhas retas não fazem parte do meu desenho. Sim, eu faço planos... mas estes não me cercam, apenas me auxiliam nos meus vôos. As minhas linhas são curvas, porque são minhas. Vêem de de dentro, do espiríto, no meu ritmo. Eu, dona do meu destino.

Acordo todos os dias como uma tela nua, sem passado, sem futuro. Sou o presente diário, definido a partir da temperatura, do gosto, do paladar do instante.

Diria que hoje sou feito jornal... muitas histórias já relatadas, mas com a ânsia constante de viver outras. A minha gramatura não é certa, o meu peso é o mesmo do vento. Tenho o formato dos meus sonhos. Em minha textura há um semblante da natureza.

Estes mesmos papéis que descrevem minha vida sempre me acompanharam. Em viagens lá estavam eles amarrados a um simples objeto que quase sem perceber preenchia espaços com meus pensamentos, por vezes enjaulados clamando pela liberdade. Nos estudos os textos se tornavam meus, pois minhas mãos com vida própria começavam a escrever e a interpretá-los. E nas horas vagas não seria diferente: meus devaneios pediam mais realidade nas minhas reflexões, e por isso via no papel o passo inicial, responsável por dar forma as minhas idéias. Minha mente sempre gritou por isso, como se ao colocar a minha imaginação numa folha eu pudesse abrir minhas asas e alçar novos vôos. Origina-se assim a minha escolha pelo jornalismo. Uma maneira de poder externar diariamente esse mundo que nos envolve. Decisão tomada pelo coração, a linha mais direta entre os sonhos e a realidade.

destino certo, porém incerto

Quando acabou o show do Tizumba a primeira coisa que fiz foi olhar no relógio para ver se sua aula já tinha acabado. Ainda eram 22h30. Faltavam longos 10 minutos. A questão é que o tempo passou e você não apareceu... Será que está escondido? pensei... Será que quer me fazer uma surpresa? Não aceitava a simples hipótese de você simplesmente não estar lá... Esperei por mais 10 minutos. Fui desabafar meu sonho perdido com o flanelinha que tentou me acalmar: "outro dia uma mulher estava esperando uma pessoa... ela esperou por muito tempo... E depois foi descobrir que ela não viera porque havia acontecido um acidente. Pode ser isso." Sim, poderia ser... mas eu sabia que não era. Neste dia eu fui maté mais generosa e dei R$1,50 ao flanelinha que quis acreditar em parte do meu sonho.

Liguei o carro e a cada esquina tentava encontrá-lo no rosto de outros homens, só que nunca o achava... Perguntava pro meu coração qual seria o motivo da sua ausência... e nem ele sabia responder... não sabia... não poderia saber... e no meio do caminho minha maior companheira dos meus devaneios disse: "nossa, já são meia-noite." eu respondi com toda a certeza que o relógio dela estava errado, pois ainda era 22h50, 20 minutos após a sua aula... fui conferir e eis a resposta que precisava: era meia-noite e você não pôde me esperar... pra não dizer que não quis. Assim meus sonhos começaram a voltar, um novo despertar dos olhos... uma nova visão, por cima do muro...

Cheguei em casa mais serena, mas não tanto quanto estaria se o nosso encontro estivesse concretizado. Tive que desfazer os meus planos: guardei o cobertor que levei pra você não sentir frio. Tinha planejado olhar para as estrelas e ver seus olhos se fecharem como uma pintura em meio aquele quadro imaginado. Tinha levado músicas, livros, tinha me levado por completo. Naquela noite eu estava ali, como dizem: de corpo e alma. Mas você não veio... Quis que meu sono chegasse rápido para adormecer a minha queda...


Coloquei meu celular para despertar mais cedo... novas idéias já começam a brotar.... Nesta noite meu sono não foi profundo, pois já estava a espera do próximo dia. Passei um perfume pelo meu corpo imaginando que você poderia sentí-lo e fui... como quem vai para outro mundo... 7h20 eu estava na porta da sua casa... 7h40 e nada... mandei uma mensagem pelo celular: "estou te esperando. desça rápido." 7h50 e você não havia descido. Liguei pra você... o celular só chamava, mas do outro lado da linha ninguém atendia. Você não tem mesmo jeito de quem se mantém conectado por um aparelho. 8h, hora do meu trabalho... fui embora. E quando olhei pra trás: você !!!! esperei você passar e cadê? você saiu pela outra saída... destino certo, mas tão incerto...

E agora... aqui estou eu: de volta a realidade, com pontas de um quadrado. Ainda bem que todos sabem que a qualquer momento eu comçeo tudo outra vez, de novo, novamente... nunca pela última vez e sempre como se fosse a primeira...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

natureza

Não faz muito tempo eu senti dó do filho do caseiro. Eu tinha acabado de voltar do cinema e me perguntei se ele já havia assistido à algum filme naquelas telas gigantes. Fui até a casinha que ele mora e com a sensação de que levaria esperança e alegria ao coração daquele pequeno menino eu perguntei: Você já foi ao cinema? Com os olhos molhados de desejo ele respondeu que nunca havia ido. Comecei a questionar sobre quais filmes ele gostaria de ver e quais persongens ele mais gostava. Feito criança que vive dentro de um sistema maior que si mesmo ele disse sem êxito que amava o Homem Aranha. Quem falou isso foi um menino que morou a maior parte da vida num lugar isolado da cidade e até mesmo da ruralidade. Seu lar ficava num lugar onde se podia ouvir o canto dos pássaros a qualquer hora do dia, num lugar onde pisar no barro molhado era gostoso, num lugar onde se via o mundo de cima das árvores...

E hoje, morando na casinha que meus pais fizeram para o caseiro eles começam a ter contato com as inovações humanas. Ignorância minha pensar que a ausência de máquinas pudesse fazer falta a um ser humano. Tolice minha não perceber que é exatamente o contrário. Não quero mais levá-lo ao cinema. Entendi que o grande mistério da vida está no ar, entre a terra e o céu... basta olhar pro vento...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

resposta no silêncio

Sei que a ausência de respostas também é uma resposta... e entendo que nem sempre as coisas acontecem dos dois lados. Longe de ser o que eu queria, mas extremamente necessário ao meu coração, hoje eu preciso enxergar além destas palavras não ditas. Talvez você não compreenda o que está se passando dentro de mim... e na verdade, não é mesmo pra entender...

Porém, o que ocorre é simples... simples o suficiente para ser visível através das reações do meu corpo, da entrega do meu olhar... tudo começou de uma forma tão inesperada e agora já não sei como reagir. Quando li seus textos senti uma conexão de almas, de sentidos... e cada ação minha era o reflexo dos meus sentimentos... nada premeditado. e tudo foi crescendo, passando da imaginação para a realidade. e não sei o que fazer vendo tudo se desfazendo, sem ao menos ter concretizado... Dentro de mim já existem sonhos, pois não sou capaz de controlar meus pensamentos... eles têm vida própria.




quarta-feira, 19 de setembro de 2007

doze de setembro

É verdade. Eu me escondi quando o vi pela primeira vez, mas não foi de você. Foi da avalanche de sentimentos que gritavam dentro de mim. Bastou um abraço pra eu poder me esconder no seu corpo e esquecer de tudo isso... um abraço “longo e repentino”. Minha imensa ansiedade queria levá-lo embora naquele instante, porque minha mente já não sabia mais como reagir e dali em diante só meu coração poderia falar... naquela quarta-feira o tempo não passou pra mim, quando fui embora ainda eram 22h40. A minha inquietude era tanta que eu não realizei metade do que minha imaginação havia planejado: o beijo na mão pra você poder guardar pela eternidade, as palavras engasgadas, o olho no olho, o sentimento latente... mas as duas horas e trinta minutos daquele dia foram suficientes para manter meus pés nas nuvens em todos os segundos seqüentes...

E contra todos os conselhos de quem quer manter os pés firmados no chão eu lhe envio este e-mail escrito com a minha respiração. No ritmo dos meus sonhos...