quarta-feira, 25 de março de 2009

eu e ele. ele e eu. fim.

terça-feira, 24 de março de 2009

pra não ter que encher a mão pra atirar as pedrinhas que via no chão ela correu pro quarto pra jogar no espelho as marcas de expressão do rosto ainda de menina...

os nossos beijos

os nossos beijos são de vento. acontecem quando uma letra acompanha outra fazendo criar sentidos além da tela. são beijos de olhos caídos, por não suportarem o peso do sentimento que juram enxergar. são beijos que por não tocarem os lábios são inventados poeticamente... e lindamente!

segunda-feira, 23 de março de 2009

desculpe, mas eu minto

as vezes tenho a sensação de que ele pensa que sou diferente. eu não conto que na verdade sou apenas mais do mesmo. ser humano. ele não deve saber que eu uso palavras e cores pra me fantasiar de mim mesma. não pode mesmo descobrir isso. porque eu devo assumir que gosto quando ele me enxerga através daqueles criativos óculos.

beijo de água salgada

coloquei os pés na areia e fechei os olhos pra sentir com a pele a água beijando meu corpo. ela ia e vinha. várias vezes. o vento soprava e o azul acompanhava. o círculo amarelo lá em cima fazia brilhar o oceano. prateado e dourado. o sopro do mar subia por dentro da minha roupa e criava vícios em mim mesma, sempre a deixar aberto os espaços de entrada. já não limpava a pele que se desmanchava em suor. assim exalava cheiro. perfume. pra deixar a natureza se expressar, sem o menor pudor.

sábado, 21 de março de 2009

sinto algo como medo de cair água em um quadro que pintei pétala por pétala...

azul um pouco escuro

a princípio era apenas uma tarde de terça-feira, mas tinha em si listras que se perdiam no fim dos panos das roupas. ela tinha 16 anos. detalhe pequeno para quem entende que a vida não se conta a partir de números. Julieta corria demais, contra os porquês das coisas que não se explicavam. saía dela mais do que suor, ela transpirava curiosidade. e neste dia, nesta terça-feira, ela havia acordado com a chegada das flores. era primavera do lado de lá. isto a deixava inquieta, porque onde morava se quer havia primavera e as flores raramente alcançavam o desabrochar. para a menina isto já era razão suficiente para seguir a pétala azul, um pouco escura.e foi só por causa de uma única flor que desde aquela terça-feira Julieta nunca mais voltou.

sexta-feira, 20 de março de 2009

eu, dona quixote...

alta descida

começa assim. de saia rodada com bolinhas brancas. mesmo sem vento roda-se o pano e criam-se ali círculos em ondas que sobem e descem. sem parar de girar chega-se a uma velocidade que faz perder os sentidos. feito vento que entra acelerado pela janela do carro e faz perder a sensibilidade, como se pudéssemos nos desprender dos ossos. facilmente se chega lá em cima e só então se lembra que não há asas. aí pra descer custa muito, tal qual os pingos de suor dos passos em direção a montanha mais alta.

segunda-feira, 16 de março de 2009

ontem vi a água do mar beijar a água do rio e fiquei sem entender como que elas não são uma só!

quarta-feira, 11 de março de 2009

é muito coisa de Clarice querer ser fiel a uma poesia. simplesmente porque uma das rimas encaixou melhor que as outras.

segunda-feira, 9 de março de 2009

voz de rima minha

e no meio da terra coberta de grãos e do Sol transbordando cores eu ouvi a voz dele. meu desejo não me dava sossego e vivia a me pertubar constantemente, inclusive entre os segundos tão velozes. escolhi os números dele por pura obediência a mim mesma. eu não seria travessa em um momento de tanta vontade a ser saciada. e ele... chamou-me de poema. e ainda teve a capacidade de corrigir para "o meu poema". foi natural falar com ele. senti como se tivéssemos nascido de um mesma raiz de árvore, com caules que crescem por lados opostos, mas que inevitavelmente se encontram. é assim. sem coincidências. pura razão um poema encontrar a sua rima.