domingo, 24 de julho de 2011

boa noite, meu bem

gosto quando, depois do sono, você me procura pela madrugada, encosta sua pele na minha e nos mantem abraçados por pedaços nossos, fico procurando neste escuro esquinas de luz que me permitam enxergar seu rosto, tão lindo aos cuidados dos sonhos, imagino quais histórias você vive debaixo da lua e acabo por sonhar ao lado seu...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

sabedoria de um coração

arrancou o coração do peito e o colocou sob a tábua, sangrava tanto que era urgente estancar o vermelho que gritava por um novo olhar, controlou o fluxo, mas era impossível dominar as pulsações, começou então a costurar as partes que ficavam abertas, demorou tanto que precisou de vários rolos de linha até esgotar as possibilidades, nas batidas seguintes o coração sentiu dificuldade para bater, estava espremido, contido, remendado, mas aos poucos o coração foi aprendendo a falar devagar, mais silenciosamente, até encontrar formas de abrir espaços para novas histórias, e foi assim, sem perceber, que o coração acordou sem cicatriz e sem qualquer vestígio de costura, coração não guarda os machucados, coração sabe porque bater...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

você ao meu modo

tentava tirá-lo de dentro dela e colocá-lo entre letras espalhadas nas cartas, tentava de alguma forma materializá-lo, descrevia o contorno dos lábios dele como se fossem histórias de uma vida inteira, contava para os tantos pedaços de papel o cheiro que os dias dele deixavam, lia trechos e apaixonava-se pelo personagem que ali se desenrolava, não era possível evitar que seus olhos o criassem ao seu modo, ele chevaga a ultrapassar a realidade, e tinha momentos que só ela sabia da existência...

terça-feira, 12 de julho de 2011

verbos do presente

cobriu-se de petátas de girassol pra me receber em um dia azul cor de céu. pausou o tempo que não parava de correr nas fotos que seus olhos descobriam. interrompeu o passar das horas numa contagem cuja ordem era o desejo. levou-me pra viajar num trem sem trilhos, com paradas permanentes nas histórias de outrora. dividiu comigo os verbos do presente. em plena segunda-feira me apresentou o lugar mais alto da cidade, nos aconchegamos nas nuvens, e nos embriagamos dos raios de sol que nos coloriam da saudade prestes a chegar. dias sem roteiro, pra ela que queria ser atriz. pai, mãe, irmã e sobrinho pingavam gotas de sangue nas minhas veias, que agradeciam o calor dos abraços. despedi-me sabendo que roubava dali toda a delícia de ser primavera. nada ficou pra trás, pra gente restou todo o amor do mundo.

sábado, 9 de julho de 2011

em toda viagem é sempre muito difícil decidir qual parte da gente vai e qual pedaço da gente fica... ir inteira não me é possível, é que o caminho vai guardando histórias minhas...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

continuidade

quando olhava pra baixo: vertigem. quando olhava pra cima: desejo.
é que já estava tão alto que descer seria queda, mas subir seria caminhada.

sonho fértil

depois de tanto escutar fui perguntar qual era o sonho dele, olhando pra janela que não havia ele respondeu que era morar em um lugar que ele pudesse plantar e colher, e isso era tudo, sonho grande.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

são tantos os caminhos...

dava a estranha sensação de cegueira, os olhos alcançavam tão pouco afinal, já o mundo era grande demais para os limites das retinas, e insistir em permanecer ali entre imagens já captadas parecia o mesmo que cercar a chance de uma nova esquina, era tão imenso o caminho que o próprio caminhar era fonte inesgotável, mas caminhando se falseava a idéia da busca do outro lado da montanha, mesmo que soubesse que o outro lado seria o início de outra direção, gostoso era quando encontrava corredores nunca antes imaginados e se defrontava com os muros que acreditava serem o único contorno possível, descobria a todo instante que a vida era invenção do homem, e que ela também podia inventar a sua...