sexta-feira, 28 de setembro de 2007

o pequeno príncipe

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste.
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa.
- Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou à sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que serão diferentes dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa então se calou e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. O homem não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga cativa-me! Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
E continuou:
- Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."


Autoria de Antoine de Saint-Exupèry - retirado do livro "O Pequeno Príncipe"

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

jornalismo

Nasci feito papel em branco. Já tinha alma, é verdade, mas no começo parecemos todos iguais. Aos poucos fui tomando forma e sendo formada, pois não há como fugir disso. Hoje sou um papel rabiscado, mas com grande parte a ser preenchida. Linhas retas não fazem parte do meu desenho. Sim, eu faço planos... mas estes não me cercam, apenas me auxiliam nos meus vôos. As minhas linhas são curvas, porque são minhas. Vêem de de dentro, do espiríto, no meu ritmo. Eu, dona do meu destino.

Acordo todos os dias como uma tela nua, sem passado, sem futuro. Sou o presente diário, definido a partir da temperatura, do gosto, do paladar do instante.

Diria que hoje sou feito jornal... muitas histórias já relatadas, mas com a ânsia constante de viver outras. A minha gramatura não é certa, o meu peso é o mesmo do vento. Tenho o formato dos meus sonhos. Em minha textura há um semblante da natureza.

Estes mesmos papéis que descrevem minha vida sempre me acompanharam. Em viagens lá estavam eles amarrados a um simples objeto que quase sem perceber preenchia espaços com meus pensamentos, por vezes enjaulados clamando pela liberdade. Nos estudos os textos se tornavam meus, pois minhas mãos com vida própria começavam a escrever e a interpretá-los. E nas horas vagas não seria diferente: meus devaneios pediam mais realidade nas minhas reflexões, e por isso via no papel o passo inicial, responsável por dar forma as minhas idéias. Minha mente sempre gritou por isso, como se ao colocar a minha imaginação numa folha eu pudesse abrir minhas asas e alçar novos vôos. Origina-se assim a minha escolha pelo jornalismo. Uma maneira de poder externar diariamente esse mundo que nos envolve. Decisão tomada pelo coração, a linha mais direta entre os sonhos e a realidade.

destino certo, porém incerto

Quando acabou o show do Tizumba a primeira coisa que fiz foi olhar no relógio para ver se sua aula já tinha acabado. Ainda eram 22h30. Faltavam longos 10 minutos. A questão é que o tempo passou e você não apareceu... Será que está escondido? pensei... Será que quer me fazer uma surpresa? Não aceitava a simples hipótese de você simplesmente não estar lá... Esperei por mais 10 minutos. Fui desabafar meu sonho perdido com o flanelinha que tentou me acalmar: "outro dia uma mulher estava esperando uma pessoa... ela esperou por muito tempo... E depois foi descobrir que ela não viera porque havia acontecido um acidente. Pode ser isso." Sim, poderia ser... mas eu sabia que não era. Neste dia eu fui maté mais generosa e dei R$1,50 ao flanelinha que quis acreditar em parte do meu sonho.

Liguei o carro e a cada esquina tentava encontrá-lo no rosto de outros homens, só que nunca o achava... Perguntava pro meu coração qual seria o motivo da sua ausência... e nem ele sabia responder... não sabia... não poderia saber... e no meio do caminho minha maior companheira dos meus devaneios disse: "nossa, já são meia-noite." eu respondi com toda a certeza que o relógio dela estava errado, pois ainda era 22h50, 20 minutos após a sua aula... fui conferir e eis a resposta que precisava: era meia-noite e você não pôde me esperar... pra não dizer que não quis. Assim meus sonhos começaram a voltar, um novo despertar dos olhos... uma nova visão, por cima do muro...

Cheguei em casa mais serena, mas não tanto quanto estaria se o nosso encontro estivesse concretizado. Tive que desfazer os meus planos: guardei o cobertor que levei pra você não sentir frio. Tinha planejado olhar para as estrelas e ver seus olhos se fecharem como uma pintura em meio aquele quadro imaginado. Tinha levado músicas, livros, tinha me levado por completo. Naquela noite eu estava ali, como dizem: de corpo e alma. Mas você não veio... Quis que meu sono chegasse rápido para adormecer a minha queda...


Coloquei meu celular para despertar mais cedo... novas idéias já começam a brotar.... Nesta noite meu sono não foi profundo, pois já estava a espera do próximo dia. Passei um perfume pelo meu corpo imaginando que você poderia sentí-lo e fui... como quem vai para outro mundo... 7h20 eu estava na porta da sua casa... 7h40 e nada... mandei uma mensagem pelo celular: "estou te esperando. desça rápido." 7h50 e você não havia descido. Liguei pra você... o celular só chamava, mas do outro lado da linha ninguém atendia. Você não tem mesmo jeito de quem se mantém conectado por um aparelho. 8h, hora do meu trabalho... fui embora. E quando olhei pra trás: você !!!! esperei você passar e cadê? você saiu pela outra saída... destino certo, mas tão incerto...

E agora... aqui estou eu: de volta a realidade, com pontas de um quadrado. Ainda bem que todos sabem que a qualquer momento eu comçeo tudo outra vez, de novo, novamente... nunca pela última vez e sempre como se fosse a primeira...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

natureza

Não faz muito tempo eu senti dó do filho do caseiro. Eu tinha acabado de voltar do cinema e me perguntei se ele já havia assistido à algum filme naquelas telas gigantes. Fui até a casinha que ele mora e com a sensação de que levaria esperança e alegria ao coração daquele pequeno menino eu perguntei: Você já foi ao cinema? Com os olhos molhados de desejo ele respondeu que nunca havia ido. Comecei a questionar sobre quais filmes ele gostaria de ver e quais persongens ele mais gostava. Feito criança que vive dentro de um sistema maior que si mesmo ele disse sem êxito que amava o Homem Aranha. Quem falou isso foi um menino que morou a maior parte da vida num lugar isolado da cidade e até mesmo da ruralidade. Seu lar ficava num lugar onde se podia ouvir o canto dos pássaros a qualquer hora do dia, num lugar onde pisar no barro molhado era gostoso, num lugar onde se via o mundo de cima das árvores...

E hoje, morando na casinha que meus pais fizeram para o caseiro eles começam a ter contato com as inovações humanas. Ignorância minha pensar que a ausência de máquinas pudesse fazer falta a um ser humano. Tolice minha não perceber que é exatamente o contrário. Não quero mais levá-lo ao cinema. Entendi que o grande mistério da vida está no ar, entre a terra e o céu... basta olhar pro vento...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

resposta no silêncio

Sei que a ausência de respostas também é uma resposta... e entendo que nem sempre as coisas acontecem dos dois lados. Longe de ser o que eu queria, mas extremamente necessário ao meu coração, hoje eu preciso enxergar além destas palavras não ditas. Talvez você não compreenda o que está se passando dentro de mim... e na verdade, não é mesmo pra entender...

Porém, o que ocorre é simples... simples o suficiente para ser visível através das reações do meu corpo, da entrega do meu olhar... tudo começou de uma forma tão inesperada e agora já não sei como reagir. Quando li seus textos senti uma conexão de almas, de sentidos... e cada ação minha era o reflexo dos meus sentimentos... nada premeditado. e tudo foi crescendo, passando da imaginação para a realidade. e não sei o que fazer vendo tudo se desfazendo, sem ao menos ter concretizado... Dentro de mim já existem sonhos, pois não sou capaz de controlar meus pensamentos... eles têm vida própria.




quarta-feira, 19 de setembro de 2007

doze de setembro

É verdade. Eu me escondi quando o vi pela primeira vez, mas não foi de você. Foi da avalanche de sentimentos que gritavam dentro de mim. Bastou um abraço pra eu poder me esconder no seu corpo e esquecer de tudo isso... um abraço “longo e repentino”. Minha imensa ansiedade queria levá-lo embora naquele instante, porque minha mente já não sabia mais como reagir e dali em diante só meu coração poderia falar... naquela quarta-feira o tempo não passou pra mim, quando fui embora ainda eram 22h40. A minha inquietude era tanta que eu não realizei metade do que minha imaginação havia planejado: o beijo na mão pra você poder guardar pela eternidade, as palavras engasgadas, o olho no olho, o sentimento latente... mas as duas horas e trinta minutos daquele dia foram suficientes para manter meus pés nas nuvens em todos os segundos seqüentes...

E contra todos os conselhos de quem quer manter os pés firmados no chão eu lhe envio este e-mail escrito com a minha respiração. No ritmo dos meus sonhos...