sexta-feira, 30 de maio de 2008

calça xadrez









ela precisa correr
o despertador dela vive em alerta
quando a vejo passar sempre está de saída
mas se a vejo parada, respirando, apenas sento e ouço
ela dispara a falar das coisas que acordou pensando
no dia mesmo… não são inquietações passadas, mas também não são do presente… tempo inexistente
não tente pegá-la no vento
ela não é palpável, nem controlável
ela não faz roteiros
desista de esperá-la para ver um filme às 19h30
e não resista caso ela te chame pra tomar um copo de suco de laranja a noite
a única coisa que sei é que as marcas dos sapatos ficaram aqui
a calça xadrez cor-de-rosa faz toda a diferença
ainda que todas as flores decidam pintar o céu de anil

despedidas

eu não quero aprender a me despedir
e espero que cada partida me faça despedaçar
pra que eu possa sempre me refazer

quarta-feira, 28 de maio de 2008

boa noite

Desci e peguei dois gelos. Enchi meu copo de coca cola e sentei na cama
O chocolate jogado sobre o lençol não me deixou esquecer o quanto era doce
As fotos na janela são as mesmas
Acrescentei algumas cartas na parede. O arco-íris está lá.
As roupas estão espalhadas na cama, inclusive a calça rasgada
O edredon nunca foi dobrado
Os cds vão onde eu vou
A toalha está seca. A luz acesa
Deixei a porta aberta pra caso alguém ainda venha me ver
Hoje eu ia dormir cedo
Ainda tenho que escovar meus dentes
São 22h49, mas meu relógio ainda é o do Brasil
Enfim, boa noite

segunda-feira, 26 de maio de 2008

linguagem muda

Uma língua pode aproximar e afastar pessoas. Eu convivo com brasileiros, japoneses e americanos, todos morando no mesmo lugar. Mas parece que cada um continua nos limites do seu país.

As minhas conversas em inglês são sempre tão improdutivas. Como não falo a língua fluentemente eu preciso pensar nas palavras e o pensamento me atropela, impede aquele arrepio na pele. O estranho é que isso não acontece apenas comigo, ou com pessoas que não dominam o inglês. Aqueles que falam fluentemente também buscam em seu país um refúgio. Buscam nos outros um pouco de si mesmo. Os brasileiros eu sei… buscam aquele calor da terra do samba.

Sim, além da linguagem falada há a linguagem muda. As sombras na parede. O som dos passos nas trilhas de terra. As risadas jogadas ao vento. As mãos presas no corpo. As unhas roídas. O cabelo despenteado. Os lábios sem batom. Os chinelos de dedo. A roupa rasgada. Assim eu me comunicaria com qualquer pessoa. Assim não é nem preciso falar…

domingo, 25 de maio de 2008

digital

numa tarde de domingo, deitados na grama...
ele pergunta: você tem fotos do seu ex-namorado?
ela: apenas em casa. você tem fotos da sua ex?
ele: não. quando comecei já estavámos na era digital.
ela: você não revela nenhuma foto?
ele: não. eu quero comprar um porta retrato digital. as fotos ficam passando nele.
ela: eu ainda revelo as fotos. sinto falta do papel.

com curvas, por favor

eu não aprendi a começar relações que sei que vão acabar... eu não sei ter limites. eu não gosto de ter limites. não consigo andar entre as linhas. preciso das curvas, das possibilidades... um bom quadro é aquele que você não sabe qual imagem irá pintar.

gelo e fogo

coloquei a página da globo como minha home page. só assim pra eu me manter atualizada. nunca achei muito interessante saber o que acontece do outro lado do mundo. gosto de sentir o que se passa ao meu redor... gosto de sentir o sabor do lugar... experimentar o ar... tocar no vento.

ontem fizemos uma fogueira. como o fogo combina com o gelo...
marshmallow, chocolate, torrada, salsicha e pão. nada de garfos, ou facas... usamos galhos. amo as coisas primitivas. sensação de liberdade... total independência. edredons espalhados na grama, violão pra despertar as batidas. não era um momento para conversas... noite de palavras mudas.

antes de dormir: msn. preciso parar com essa mania de viver diante da tela.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

crianças-soldado

eu não posso entender. eu já não consigo ver e manter meus pés no chão. tomara que eu esteja na direção certa.

hoje vi o documentário "Invisible childrens" (Crianças invisíveis). a história se passa em Uganda, em 2003. tudo começa quando o líder dos rebeldes vê seu exército se desfazendo, porque as pessoas começaram a desistir de tomar o poder do governo.

a partir disso, começa a caça por novos soldados. eles pegavam as crianças dentro de casa e a levavam para os campos de concentração. crianças de 5 a 12 anos eram treinadas pra matar. uma delas fala que quando não via sangue sentia dor de cabeça. era uma neurose, era preciso pensar na morte pra esquecer da vida. outras falaram que quando a pessoa chorava os rebeldes a matavam, porque não queriam ninguém sentindo saudades de casa. e as crianças tinham que ser agressivas nos combates, caso contrário também eram mortas.

para fugir dos rebeldes as crianças começaram a sair de casa antes do anoitecer para dormirem na cidade, em locais seguros, onde havia policiamento. elas dormiam no chão, no sotão de um hospital. as imagens são chocantes: várias crianças espalhadas, sem espaço para esticar o corpo. elas comiam uma vez por dia e acordavam cedo pra buscar a água que seria usada.

com caneta e papel na mão a imaginação não se desprendia. os desenhos mostravam os traços do medo: armas, soldados, sangue, corpos pelo chão...

no final um menino fala para o responsável pelo filme: "espero que você não se esqueça da gente. muitos vêm pra cá e depois se esquecem. mas você tem uma fita. eu espero que você possa vê-la pelo uma vez por mês pra não se esquecer." isto é o mesmo que eu espero... que as pessoas não alimentem o próprio ego em cima da pobreza de outras. que a África não seja uma passagem, um trabalho de 6 meses. que as pessoas não se vendam através disso. e que se lembrem que pra uma árvore crescer ela precisa ser regada sempre...

* assistam o documentário
http://video.google.co.uk/videoplay?docid=3238130618744026483

* protesto contra crianças-soldado
http://www.youtube.com/watch?v=Z5YFdibmctQ

sem comentários


impressões

as árvores daqui são as mesmas que eu sempre via nos quadros. elas têm todos os tons de verde num leve degradê. enxergo quadros o tempo todo...

na porta das casas é comum ter uma bandeira dos Estados Unidos. as pessoas têm muito orgulho do país... em Williamstown não há engarrafamento e muito menos buracos na rua. A velocidade máxima é respeitada e as placas realmente indicam algo. os carros param sempre que há uma placa de "stop" e se aparecer um escolar todos devem esperar os estudantes descerem do ônibus. na rua não há mendigos. na rua não há lixo. na rua não há se quer pessoas...

as casas são praticamente iguais, mas igualmente lindas. parecem ser de bonecas. são pequenos chalés de madeira. com tons de marfim, amarelo, cinza e marrom a vida se faz nesse lugar. na frente dos lares muita grama. mas aqui a natureza é decorativa. nunca vi ninguém correndo pelo tapete verde...

a cidade é pequena. Williamstown tem aproximadamente 6 mil habitantes. o que movimenta o lugar é a faculdade Williams College, muito conceituada no país. A universidade é grande e lembra um palácio... a anuidade é torno de 80 mil doláres. tem até curso de artes cênicas... quem sabe eu não faço um dia?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

com as próprias mãos

Quem? Chris, 32 anos. Da Bélgica. Formado em Contabilidade.

Seus cílios me fazem acreditar que ainda é um garoto. Quando ele brinca me lembra um menino atrevido... Mas já é um homem, um homem de histórias e sensações. “Gosto de sentir meus nervos passando na pele.” Ele diz isso batendo a palma das mãos no braço.

A cara de menino é apenas aparência quando se trata de trabalho. Aos 16 anos ele saiu de casa. Chris já trabalhou numa fazenda com plantação de produtos biológicos, foi atendente numa loja de impressão, foi garçom, reparador de tetos, jardineiro, carpinteiro, eletricista, vendedor de livros e de cds educativos, segurança de uma funerária e técnico de futebol. Ele aprendeu tudo na escola da vida. Cresceu numa fazenda, onde tinha o costume de fazer as coisas com as próprias mãos. Mãos que todos nós temos, mas que já não sabemos usar...

A África é vermelha, é cultura, é a cor do sol. Simplesmente espontânea. Esta é a definição que só um homem chamado por pai numa terra de orfãos daria a este lugar. Ele foi para a Angola, província de Cabinda, em fevereiro de 2007. Trabalhou como voluntário no projeto ‘Escola Vocacional’, dando cursos técnicos de ecologia, inglês, pastelaria, hotelaria, padaria e turismo. Ao todo ele tinha 59 alunos. Também era responsável pela contabilidade e compras da escola, era o braço direito da diretora.

Chris é um homem pra você conversar durante horas... pra ouvir mais do que falar. Perguntei a ele como seriam os angolanos: “São pessoas teimosas. São abertas.” Eu questionei como poderiam ser teimosas e abertas ao mesmo tempo e ele respondeu: “É um paradoxo. É África. Paradoxo da África. Eles não vão acreditar que foi Bush quem articulou o ataque às torres gêmeas. Têm preconceitos que são falsos. Acreditam em Deus e feitiçaria ao mesmo tempo.”

Uma característica marcante em Angola é o machismo. O voluntário conta que os homens têm orgulho de terem mais de uma mulher e de terem vários filhos. Outro ponto que ele observou foi que alguns angolanos usam tênis de marca como Adidas, com a ilusão de desenvolvimento. “Não é porque você tem roupas novas e legais que você está desenvolvido internamente. Eles saíram de uma guerra e tentam recuperar o tempo perdido. Eles nunca falam deste assunto, são muito orgulhosos. Tentam reduzir esse buraco.”, explica. Nos olhos do povo angolano Chris vê sentimentos, mas sem espaço para a dor. “Eles sofreram muito antes, então o tempo atual não é mais para o sofrimento e sim para todos os outros sentimentos possíveis.”

Da África ficaram as sensações... “De lá eu trouxe um sorriso, um sorriso que ficou aqui”. Ele termina a frase com esse mesmo sorriso escancarado nos lábios... E continua: “Aprendi a reduzir minha velocidade de trabalho pra ficar mais próximo das pessoas. Gosto de perfeição e faço as coisas muito rápido. Não tinha paciência. Na Angola as pessoas não têm conhecimento, todos os passos devem ser devagar. Sempre vivi a 200km por hora. Quando você reduz a vida parece mais simples. Você pode provar, gostar.” Com toda a sensibilidade necessária ele explica que na Angola você enxerga a simplicidade de viver: “Você começa a gostar de coisas que você esqueceu. O vento que está chegando ao seu rosto. Você fecha os olhos numa cadeira e adora esse momento. Coisas que são simples e que nossos olhos não tem mais o costume de apreciar. Por isso que África é fantástica. Tem o poder de fazer esquecer a vida e de refazer a nossa vida de homem, com mais relação com a natureza.”

Suas vontades são: viajar, conhecer, vencer desafios. Ele não tem sonhos, mas sentimentos: “O nosso planeta é tão bonito que nosso objetivo não pode ser ficar num lugar apenas. Somos humanos e temos que saber onde vivemos. Quero ultrapassar as minhas limitações em todas as direções. Ir para um país que não conheço, sem ponto pra me amarrar, onde eu possa improvisar.” Agora ele segue rumo a Benguela, na Angola, onde será diretor de uma escola. Daqui um ano vale a pena perguntar onde ele está... porque é impossível ter certeza quanto aos seus passos...

Armadilhas humanas

Hoje o assunto do morning courses foi lendmines (minas terrestres). Angola é o país que tem o maior número no mundo: 20 milhões. Há um ditado que diz que o povo angolano nasce com dois presentes: a vida e uma mina. Para cada pessoa há duas delas neste país. Outro dado chocante é que a cada hora morrem três pessoas no mundo com a explosão de minas.

Para fazer uma mina gasta-se apenas U$3,00 e para desfazer gasta-se U$1.000,00. O trabalho de desarmamento é caro porque o valor da tecnologia e do seguro de vida são altos.

Os únicos lugares que não existem minas são a Austrália e a Antártica. A maior concentração destes explosivos está na África e na Ásia. É estranho pensar que os pés não podem ter vontade própria, que não podem chegar se quer até onde os olhos alcançam... as pessoas estão cercadas por armadilhas humanas. É o homem que mata o próprio homem...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

mensagem da titia

as pessoas se revelam... as vezes é preciso mudar a rota pra sentir outras emoções, como o carinho infinito de alguém. desde que estou nos Estados Unidos minha tia entra no msn todos os dias e fica a minha espera... é como se fosse meu lar, um lugar pra eu ficar. obrigada por construir tijolos virtuais...

"Ei Debinha...
como de costume, leio todos os dias as mensagens que vc posta em seu blogger. E todos os dias, entendo a profundidade de sua escolha, a distância que vc a si mesmo colocou. Vejo agora que suas escolhas, tão radicais, são de extrema importância pra vc.
Entendo também que neste poucos dias (uma semana) vc já passou por grandes desafios e que os tirou de "letra". Gostaria de dizer tantas coisas, que de alguma maneira pudesse te orientar, mas percebo que vc já nem precisa de orientação, sua generosidade, simplicidade, serenidade te alto conduz..
Daqui desde meu cantinho de minha casa, eu continuo acreditando no seu sonho, e continuo sonhando os mesmos sonhos seus. O quê importa é que sejamos sempre felizes e nos somos e não é verdade? Continue com está pureza de coração e bola pra frente......
Beijos Tia Maria"

terça-feira, 13 de maio de 2008

abrindo os olhos

Quem? Yasutoshi, 27 anos. De Gunma, Japão. Formado em política.

Os olhos desaparecem quando ele sorri. Lembram os desenhos que fazemos dos japoneses, com apenas um traço no lugar dos olhos. E como ele ri...

Yasutoshi foi para Moçambique em novembro de 2007 e voltou para Williamstown, nos Estados Unidos, nesse final de semana. Ele estava em Lamego, no distrito de Nhamatanda, província de Sofala. Chegou sabendo falar pouco o português, no começo se comunicava com a linguagem dos olhos, ainda que eles fossem pequenos. Nas terras africanas ele foi procurar a si mesmo, tentar se encontrar entre os conflitos humanos. Desempregado, ele se sentia limitado, porque dependia dos pais para tudo. A saudade ele não conheceu. “Meus pais sentem minha falta, mas eu não sinto falta deles. Eu me tornei forte.” Ele falava duas vezes por mês com a família, por e-mail.

Ele foi. Ele viu. “A vida é difícil na África. No Japão eu podia ter o que eu quisesse, na África é diferente: não há dinheiro, não há condições.” Em Moçambique a água é escassa. Para usá-la é preciso fervê-la e depois filtrá-la, gastando uma hora para limpar cada cinco litros de água.

Seu projeto: Farms Club. Trabalhava em fazendas plantando vegetais. Fazia a arte de fazer brotar da terra a sobrevivência humana. Três vezes por semana, durante seis horas, ele ajudava em fazendas das comunidades e nos outros dois dias ele ensinava as pessoas como fazer. Deveria ser obrigação a transmissão de todo conhecimento. Deveria ser proibido ter livros guardados na estante.

Dos próximos passos ele não sabe. Fica olhando pela janela procurando o dia de amanhã, perdido entre suas andanças. Sabe apenas que tem que procurar um trabalho, de preferência na área social. A maior mudança? Ele responde: “Ainda está presa na memória.”

domingo, 11 de maio de 2008

memória virtual

estava sentada numa mesa com quatro pessoas. ou seriam quatro máquinas? os olhos fixados no computador não deixavam restar espaço para expressões faciais. será que se fecharem os olhos eles lembrarão do meu rosto? as ondas dos meus cabelos será que algum deles já viu?

a maioria das pessoas aqui na montanha tem seu notebook e o levam pra todos os lugares. é estranho pensar que os olhos já não são suficientes. as mãos se viciaram no teclado. para escrever nem se olha mais, as letras estão gravadas na memória. memória virtual...

de portas abertas

de repente não há mais porta, as chaves foram deixadas pra trás
resta apenas uma intimidade pública
meu humor nas manhãs geladas
pares de chinelos espalhados ao chão

as pessoas vem e vão
numa viagem de histórias individuais
e a gente fica procurando aquela que voltará no dia seguinte
pra fazer a água transformar-se em gelo

aqui se conhece mundos
através das palavras
são livros contados pelas pegadas deixadas no chão
páginas já lidas, mas recontadas ao curiosos de plantão

sexta-feira, 9 de maio de 2008

cheiro da grama

Hoje eu cortei a grama do jardim… eu nunca havia sentido o cheiro da grama dessa forma. Vou procurar um perfume com essa fragância.

Nós humanos não sabemos deixar a natureza ser livre. Nós a recriamos a nossa maneira. Mas as plantas não são totalmente submissas. Aqui brotaram flores em meio a grama e o amarelo trouxe pingos de vida no vasto tapete verde. Admiro essas flores que doam seu perfume sem pedir licença.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

sobre a saudade

Só me dei conta da distância quando sentei no banco do avião. Olhei pelo vidro e já não podia sentir os abraços... de repente estava no meio das nuvens e a chuva que molhava o chão era a mesma que lavava meu rosto. Mas sabia que meu caminho começava ali e que situações difíceis fazem parte dos sonhos...

Sorte a minha que algumas pessoas se tranformam em outros seres. A pequena Michelle fez-se passarinha, meu pai se desmancha nas plantas, Tati nasceu como uma bonequinha... pra serem onipresentes...

A saudade nos faz enxergar as coisas como se estivéssemos no alto de uma montanha... podemos ver uma cidade inteira e olhar apenas as luzes acesas... iluminando até mesmo a escuridão.

Saudade me resume

segunda-feira, 5 de maio de 2008

mensagem da bonequinha


certas pegadas na areia deixam rastros... deixam pedaços...
e a gente fica se perguntando porque mesmo que precisamos deixar pessoas que amamos pra sonharmos aquilo que só faz sentido pela simples existência humana...

"amiga, sinto muita saudade de vc. seu olhar quando me escuta me faz falta. sua risada, seu companheirismo, seus conselhos, seu carinho... antes de vc ir as pessoas me perguntavam: e aí, como vc vai ficar com a ida da débora? eu respondia: é... não sei como vou administrar a falta física dela não. e ainda não sei.

vc sabe, amiga. eu guardo muitos sentimentos pra mim. deixo de falar muitas coisas que deveria e até gostaria de falar. acho que algumas vezes deixei de te falar coisas que eu gostaria. mas, acho que tudo tentava se resumir na frase "amo você".

me perdoe por certas atitudes sem pensar. por ausências involuntárias. vc sempre estará aqui dentro do meu coração. é pra sempre a minha irmã, amiga, mãe. é pra sempre quem eu quero que esteja na minha vida.

se cuide muito. agasalhe bem. confie nas pessoas. se descubra. se encontre. se perca às vezes. esqueça (de vez enquanto) de computadores. olhe muito. grave tudo na sua memória. absorva pessoas, sentimentos, visões. pare pelo menos 15 minutos do seu dia e só ouça e veja as coisas. não fale nada. absorva. e tenha cuidado. preciso de vc. vc é parte de mim.

te amo, de coração. tati"

mensagem da passarinha

este foi o primeiro e-mail que li quando eu cheguei... e eu só desejei que a minha janela fosse a mesma do meu quarto... amo você minha passarinha...

"Não vejo a hora de vc chegar em seu destino e ler meu e-mail.
Posso sentir o que se passa pelo seu coração e a sua ansiedade para viver tudo da forma mais intensa possível.
Quero saber cada sensação deste vôo! Desde o embarque ao desembarque. Todos os destinos, pessoas, lugares, momentos.
Porém, há algo neste vôo que você não viu. Momentos de gargalhadas de lágrimas. O momento em que apenas alguns vidros, paredes e desgraus separavam você de nós: sua família e amigas!
Logo que entrou na sala de embarque, um silêncio de lágrimas tomou conta do corredor. Eu, Tati, sua mãe, irmã e tias chorávamos.. Outros tinham na face o desenho do medo, da saudade, da angústia e do amor. Tal como seu pai, Camis, primas...

Seguimos seus passos até desaparecer de nossos olhos. Depois fomos para uma área observar o seu embarque. Tivemos a tristeza de ver apenas um avião e um túnel de entrada. Mas, vimos sua mala. Aquela fita rosa voando para novos áres.
Fiquei me perguntando se o vidro que fechava a sala que observávamos o avião era preto ou transparente rssss... Será que ela nos vê? Será que ela vê cada lágrima de saudade e amor que escorre por esses vidros. As mãos que deslisão por eles, a espera de um sinal.
Imaginei que fosse mesmo preto. E o meu plano de escrever Débs com giz nele foi por água a baixo. rssss
Contamos cada mala que foi colocada no avião. Além disso ficamos falando de sua volta rsss E de nossa ida ao seu encontro. Ow man, só se for pelo México, pobre como sou!!!!!!

Enfim, o avião se preparou para alçar vôo. Todos o seguiram com os olhos. Tiramos uma foto com o avião de fundo... rssss.. E nos fizemos presentes em seu coração através de nossos pensamentos.
O aviâo ligou as turbinas. Contornou a pista e começou a acelerar.... Alçou vôo e foi desaparecendo entre as nuvens.
Naquela sala ouvia o silêncio de lágrimas, a dor da saudade na face de cada um e o sentimento de alegria por estarmos ao seu lado na busca desse sonho!
Pela primeira vez ví claramente uma lágrima escorrer dos olhos do seu pai, pois até então, tinha visto uma face abalada pela dor de entregar ao mundo uma filha. Ele encostou o rosto no vidro e chorou de forma singela, em silêncio.. Acompanhou o avião com as mãos e, enfim, confortou sua mãe e irmã em seus braços.

O avião sumiu entre as nuvens azuis e iluminadas. Descemos e nos despedimos. Cada um seguiu seu destino levando você em nossoa pensamentos. No carro da tati, ouvíamos apenas o som do vento e do rádio.... Poucas palavras dissemos.. O sentimento abafou nossas vozes naquele momento.
Cheguei em casa e me ví tão sozinha. Senti falta de algo em mim. Um pedaço meu foi tirado,
Entrei para o banho e misturei lágrimas na água quente.
Enrolada na toalha vim aqui, relatar este primeiro dia de dor, alegria, esperança e muita, muita saudade!

Saudade que nada preencherá!!! Só você!!!
Ass: Michelle Senna (passarinha)"