terça-feira, 13 de maio de 2008

abrindo os olhos

Quem? Yasutoshi, 27 anos. De Gunma, Japão. Formado em política.

Os olhos desaparecem quando ele sorri. Lembram os desenhos que fazemos dos japoneses, com apenas um traço no lugar dos olhos. E como ele ri...

Yasutoshi foi para Moçambique em novembro de 2007 e voltou para Williamstown, nos Estados Unidos, nesse final de semana. Ele estava em Lamego, no distrito de Nhamatanda, província de Sofala. Chegou sabendo falar pouco o português, no começo se comunicava com a linguagem dos olhos, ainda que eles fossem pequenos. Nas terras africanas ele foi procurar a si mesmo, tentar se encontrar entre os conflitos humanos. Desempregado, ele se sentia limitado, porque dependia dos pais para tudo. A saudade ele não conheceu. “Meus pais sentem minha falta, mas eu não sinto falta deles. Eu me tornei forte.” Ele falava duas vezes por mês com a família, por e-mail.

Ele foi. Ele viu. “A vida é difícil na África. No Japão eu podia ter o que eu quisesse, na África é diferente: não há dinheiro, não há condições.” Em Moçambique a água é escassa. Para usá-la é preciso fervê-la e depois filtrá-la, gastando uma hora para limpar cada cinco litros de água.

Seu projeto: Farms Club. Trabalhava em fazendas plantando vegetais. Fazia a arte de fazer brotar da terra a sobrevivência humana. Três vezes por semana, durante seis horas, ele ajudava em fazendas das comunidades e nos outros dois dias ele ensinava as pessoas como fazer. Deveria ser obrigação a transmissão de todo conhecimento. Deveria ser proibido ter livros guardados na estante.

Dos próximos passos ele não sabe. Fica olhando pela janela procurando o dia de amanhã, perdido entre suas andanças. Sabe apenas que tem que procurar um trabalho, de preferência na área social. A maior mudança? Ele responde: “Ainda está presa na memória.”

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