sábado, 18 de fevereiro de 2012

veredicto final: inocente

não havia culpados, compreender a inocência de todos ao meu redor me tornava parte da pintura da imagem a ser pendurada entre bordas de um passado recente, não se tratava de erros, mas de curvas feitas por vezes em alta velocidade incompátiveis com o nosso ritmo de cada dia, a culpa não podia ser simplesmente de quem atirou a bala, apesar do alvo e direção, erámos todos parte desta guerra contra nós mesmos, acontece que o medo, a incerteza do cais, a vontade de proteção criaram as prisões, inclusive aquelas com grades presas aos olhos, segregaram o homem dito culpado do disparo, acabaram por inventar assim uma arma empunhada à própria pele, classificaram os errantes sem se dar conta do ciclo, puniram então alguns em nome de todos feito manchete de jornal, não resolveram a guerra, a chave do portão não prende os desejos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

eu criei você

acho-o bonito em suas mínimas sutilezas, nos detalhes quase imperceptíveis, nas palavras que você evita dizer, nos gestos que você faz por detrás da porta, acho bonito os olhos pedintes de amor, mais bonito ainda os braços que me contornam inteira, o tom da pele colorindo seu corpo, acho-o tão bonito que acabo por concluir que você só pode ser invenção minha.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

concluindo...

espelhos são gaiolas
liberdade é a da pele
espelhos não traduzem verdades
a mentira está nos olhos de cada um
espelhos mentem
e as histórias acontecem pra muito além de tantas imagens distorcidas