segunda-feira, 28 de abril de 2008

noite de chuva

Minha pele permanece estremecida
A noite ainda não acabou
Só fico a me perguntar quem roubou a metade da Lua...

Regada a fantasia, a olhares que atravessavam meu corpo
Essa noite eu vou eternizar

Cada rosto me fazia viajar pelas minhas memórias
Todas marcadas pelo sentimento maior do mundo
Como ele me move... e sacode!

Minha família... eu via os olhos me acompanhando... pareciam estar estáticos a me observar. Eu vou carregar isso pra sempre... esses abraços ao vento.

Uma tempestade inundou meu rosto... que sempre transborda e vai continuar a se esparramar... porque não há despedida suficiente para deixar pessoas que amamos. A saudade vai fazer de mim um sertão... e eu hei de encontrar pingos de chuva em outros corações...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

amigos

me falam de amor...
e me arrancam um oceano de uma só vez
não há dor maior que essa

sexta-feira, 18 de abril de 2008

filha das flores

Sentada na pedra mais alta a menina conversava com o mundo. Naquele lugar, ela sentia que tudo a sua volta a compreendia. As suas lágrimas se juntaram às lágrimas do mar, pela primeira vez. Não conseguia mais segurar o mar dentro de si. As ondas beijaram seus pés com respingos vindos das águas transparentes. Ela chorava... a dor dos homens. Sentimentos que ela não entendia tocavam a sua parte mais sensível. Ela não queria que fosse assim, ainda que ela soubesse não haver outra forma de ser.

A menina não era deste planeta. A lenda dizia que ela era filha das flores. Quando nasceu os lírios sangraram. Lírios brancos ficaram manchados com a cor da vida. No primeiro dia de vida da menina, uma flor, a mais imponente de todas, estava tombada: cansada pelo trabalho árduo de dar origem a um ser com essência da natureza e formas humanas. Assim surgiram os lírios cor-de-rosa.

Ela sabia o que significava o seu choro. Ela sabia o que estava por vir e por isso, sentia medo. Abraçou as pernas com as mãos bem forte e colocou a cabeça sobre elas. Se encolhia dentro de si mesma. Ela buscava o mar com toda a sua energia. Pingos de suor escorriam pelo seu rosto redondo. Ela secava alguns com as mãos, mas eram tantos que a maioria escorria pela pedra fazendo pequenas partes da rocha, antes secas, molharem e ficarem escuras. Estas partes começaram a se abrir... daquela pedra dura começou a brotar vida. A menina permanecia como estava. Ela entendia perfeitamente o que estava acontecendo.

Pequenos espaços começaram a se abrir. Algo começou a crescer ali mesmo. Primeiro apareceu uma ponta verde, que lentamente foi subindo e se expandindo. Começou a se desenvolver para os lados, como se criasse braços com vida buscando algo um pouco distante. E foi subindo, subindo... até quase soltar um suspiro pelo esforço desprendido. A extremidade daquele novo ser começava a dilatar-se. O que existia ali dentro precisava sair, já não cabia naquele espaço.
Emergia-se então a primeira pétala, que atraia outras ao seu lado. Elas rodavam fazendo um círculo. Em pouco tempo havia várias flores em volta da menina. E todas girando... num carrossel de encantos. A velocidade aumentava... quem olhasse de longe iria enxergar apenas um círculo, de lírios cor-de-rosa. As flores se aproximaram da menina e formaram uma rede. A pequena foi sugada pra dentro da pedra.
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Lá fora tudo continuava do mesmo jeito. Ninguém viu nada e nem poderia ver, ou quase ninguém poderia. As ondas batiam na areia e a pedra, aquela mais alta, estava intacta. A menina não estava mais lá.

Do outro lado, um menino observava tudo. Escondido entre as pedras ele estava com os olhos arregalados. Ainda não conseguia piscar...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

cuidado com os espelhos

a laranja virou pó
os cabelos se esticaram
pra pensar basta apertar um botão
se quiser subir vá de escada rolante
mas se preferir esquentar ligue o microondas

viva isso, contudo cuidado com os espelhos
elem podem refletir fragmentos
de um ser humano que já não detém todas as fases de produção de si mesmo

segunda-feira, 14 de abril de 2008

despedidas...


Natália diz: "te amo demais!!! e evito falar do que está por vir de tanta insegurança e medo!!! você vai estar sempre comigo em meu coração..."

branquinha,
não sinta medo ou insegurança quando se tratar de sonhos... munidos deles podemos enfrentar a maior das muralhas. agora, eu preciso buscar os meus... que faz tempo que não os encontro mais entre as quatro paredes do meu quarto. eles se perderam na multidão deste mundo, vasto mundo. sonhando nos transformamos em fortalezas inatingíveis... porque não há pedra que possa vir a representar um obstáculo.

por tudo isso peço que converta seu medo e insegurança em felicidade... na certeza de que eu estarei a alçar um dos meus maiores vôos.

assim como você eu também evito falar da distância... a saudade dói, antes mesmo da minha partida... e faz sangrar... jorrar lágrimas disparadas. eu a amo com todo o meu coração e pode estar certa de que a levarei dentro de mim pra onde quer que eu vá... sangue do meu sangue... isso ninguém jamais vai nos roubar!

domingo, 13 de abril de 2008

nem medo, nem coragem

eu não estou de partida para a dor. não... eu não vou sofrer. raríssimas são as pessoas que conseguem enxergar beleza nessa viagem. elas apenas me dizem: quanta coragem!

falam isso porque não compreendem a grandeza e necessidade deste mundo. eu não quero mais olhar os outros pela janela do meu quarto. vou misturar as minhas mãos lisas às mãos gastas pela terra. numa fusão de sentimentos e busca.

não existe medo... e nem coragem! há dentro de mim uma vontade de transformação. ideologias não nasceram pra ficarem presas na memória. precisamos sujar nossos pés, sentir o cheiro da nossa pele, olhar além dos olhos...

por favor... eu não tenho receios em passar fome, em não ter água quente, em comer a mesma comida todos os dias, em pegar doenças... eu tenho pavor de ver meus dias passando como um filme sem cor. o meu mundo eu faço questão de pintar com os tons mais vibrantes.

entendam: eu morreria por um ideal!

terça-feira, 8 de abril de 2008

oitavo aniversário

é ao seu lado que eu tenho a sensação de que o relógio dispara...
eu tento não piscar os olhos
mas adormecer ao seu lado é o desfecho que sempre tanto desejo

existe algo que só encontro em você
uma certa pureza... inocência de menino apaixonado
aquela magia que nos deixa dominados pelos sentimentos

em você eu confio...
com você eu quero passar a minha vida...
e quando eu estiver bem velhinha
quero poder olhar seu rosto enrugado e sentir minha pele estremecer

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Angola tem concurso de miss só para vítimas das minas terrestres

"A Angola tem um concurso de miss só para vítimas das minas terrestres plantadas durante a guerra. O Miss Mina Terrestre quer mostrar, segundo os organizadores, que nem tudo está perdido para quem perdeu a perna. De acordo com a ONU, 23 mil angolanos ficaram mutilados por conta das minas, que ainda existiriam aos milhões no país. A imagem é de quarta-feira (02/04), durante a competição na capital, Luanda."
nota retirada do site: globo.com



Este concurso me deixa na dúvida quanto as intenções. Se por um lado me parece ser um sensacionalismo barato da dor humana, por outro enxergo a busca de fazer resurgir a auto-estima das mulheres.

pensamentos

traduz exatamente o que eu queria dizer agora:
"Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão"...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

qual a cor do seu sorriso?

saí do trabalho e fechei meus olhos. subi no meio fio e fui tentando andar sem cair. abri meus braços e senti a brisa mexendo nos meus cabelos. ela acariciava os fios com muita delicadeza. foi gostoso sentir isso. meu rosto estava quente e por isso as bochechas ficaram vermelhas. Concentrei-me nos passos. um pé a frente do outro. as vezes imaginava a queda e pensava que seria apenas um tropeço. a escuridão me fez sentir segura num mundo que só eu podia ver. como era tudo preto eu não conseguia ver as direções pra onde ir. andava devagar percebendo as ondulações do cimento.

senti o chão e percebi que acabara o meio fio. abri meus olhos e atravessei a rua que estava logo a frente. um carro parou bem em cima da faixa de pedestres. provavelmente ele acelerou quando viu o sinal amarelo. eu não pude ver, pois estava com os olhos fechados.

quando estou na rua não vejo acontecimentos, eu vejo pessoas. vejo expressões. sei a cor do sorriso de cada um. já dizia um professor meu que as pessoas passam o dia na rua sem saber a cor do céu, porque vivem a olhar pro chão.

hoje meu sorriso estava cor de chuva, querendo regar algumas flores.