domingo, 31 de maio de 2009

quando eu morrer levarei folhas em branco e uma caneta só pra não deixar de escrever lá do céu.

centro

não era ilusão de ótica. nunca fora. mesmo que ela ocupasse o canto da sala, ainda que ela estivesse escondida atrás de algum objeto, ela era sempre o centro de todo um planeta Terra.

nicole.

o desfile dela era muito além das passarelas. o sorriso quando queria sair para as ruas vestia uma saia longa e nunca esquecia do salto alto. o corpo sonhando debaixo dos lençois fazia poses na madrugada. as mãos eram elegantes em exagero ao criarem movimentos lentos e racionais no ar. ela era modelo por profissão. mas se confundia constantemente pensando ser passarela qualquer pedaço de chão que pisava.
morais. rodrigo. almeida. evandro.
suspeito que ele tenha total consciência dos efeitos que uma ausência pode causar...

enquanto ele não vem...

o maior desejo era o encontro. era algo grande, feito tamanho gigante. ocupava tanto espaço que deixava cair vontades que disfarçavam a pequenez. o encontro ocupava o centro, era o foco, estava no palco. tinha todo o glamour de uma cena preparada para mãos produzindo aplausos. mas faltava muito sol e lua. tinha que esperar o tempo deles. e ela se perguntava se ninguém percebia o tempo dela. irritava sempre ter que esperar a velocidade dos ponteiros e não a própria. esta é a causa de todas as outras coisas. foi culpa da natureza a menina começar a colocar cimento nos muros de vento.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

paisagem viva

à beira-mar ela esticava tanto o corpo que a pele começava a ter desejos de asas soltas dos ossos. esticava e deixava os braços obedeceram a gravidade. o corpo movimenta-se no círculo imaginário, subindo e descendo montanhas. de olhos fechados ela enxergava paisagens mais coloridas do que aquelas pintadas em quadros que fugiam das telas. ela fazia parte daquela composição. era com certeza a árvore com troncos que tocavam mais alto o azul daquele céu...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

só tenho tamanho

queria um dia de besteirinhas: comer chocolate o dia inteiro, manchar a blusa com picolé de uva, jogar areia quando ele virasse as costas, rodar só pra ver o mundo girando mais que a realidade, pisar com os pés descalços na lama, dançar como quem não tem ossos, rir das piadas sem graça, ficar deitada com ele o dia inteiro com a janela fechada sem saber se é dia ou noite, lambuzar as bochechas dela de pirulito, desenhar na pele meus desejos, comer pipoca só pra ouvir o barulho dentro da boca, tomar coca-cola e sentir o gás entrando, pedalar rápido até que a bicicleta comece a correr sozinha, cair de tanto brincar, esconder de alguém, comer todos os doces da geladeira... tem horas, mais de 24, que me cansa ser gente grande.

domingo, 24 de maio de 2009

eu ando imaginando tanto que estou prestes a dar as mãos para o vento...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

pintura íntima

chegou e perguntou qual era a cor da parede do quarto dela. foi a primeira pergunta que fez. dúvida fundamental. afinal, o quarto poderia ser todo pintado marrom... o estranho foi perceber que ele era o primeiro homem a querer saber disso. por isso ela pensou que havia mais do que uma cor na pergunta dele...

uma foto que muito tenta representar...


quinta-feira, 21 de maio de 2009

vou transformar tudo em música só pra vê-lo cantar o mundo pra mim... o resto da vida
acabei de ver a minha existência acontecer através dos olhos dele...

rotina de uma senhora

tinha vida ali... ele não percebeu porque passou correndo, sem esperar o tempo que vinha logo atrás. uma senhora de cabelos longos saia de casa neste mesmo instante e viu o menino passar pela sua porta. aposentada, ela ocupava o movimento dos ponteiros com os olhos. tudo ela fotografava com a curiosidade. gastava filmes e filmes... não gostava da modernidade. deixava pra revelar as memórias em casa. só vasculhava as lembranças quando estava sozinha, no cantinho escuro da sala de estar. sentava na cadeira de balanço e tricotava fios da própria história. fazia isso sorrindo... diariamente.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

em cada esquina eu descubro outro lugar que nunca é aquele em que eu me encontro.

haverá solução?

tudo que ela queria era ser um corpo de vidro. não depender da água, do sol e da terra. precisar apenas do que existia dentro do mundo. ter necessidade de pessoas que olham, falam e tocam. ela já não queria ter fome nem sede. desejava muito poder escolher o endereço de cada estrela. mas pouco tinha vontade de cumprir horários e receber pedaços de papel com valor nenhum. pra ela bastava ver as ondas do mar num vai e vem infinito. sentar na pedra mais alta e ver o céu se manchar com as cores do sol. sabendo disso restava uma dúvida: em qual planeta ela deveria viver?
do homem eu desconfio mais do que das pedras

quinta-feira, 14 de maio de 2009

ele disse: eu não te amo menos nem um pouco... so mais... e mais
será que era só TPM ou era mesmo realidade? ou será que as duas coisas são uma só?

quero a nudez

"Eu sou sozinha no mundo e não acredito em ninguém; todos mentem, às vezes até na hora do amor, eu não acho que um ser fale com o outro, a verdade só me vem quando estou sozinha." Clarice Lispector

entre o que ele via e refletia...

olhava-se em um pedaço de metal que o refletia. um espelho trincado com pontas afiadas, prontas pra cegar. com a escova o menino penteava o cabelo, que de tão crespo não se movia um fio. penteava também a sombrancelha e o bigode que começava a nascer. penteava um de cada vez e várias vezes cada um. depois se admirava no espelho. continuava o mesmo, mas olhava como se tudo houvesse se tranformado. se achava mais bonito. olhava o espelho e depois enxergava o mundo. criava ali uma estranha dependência...

domingo, 10 de maio de 2009

menina de perguntas

o menino não perguntava nada, mas ela tudo respondia. freneticamente. quando lhe escapava a curiosidade ela logo arrumava um jeito de resgatá-la. pegava a vara e usava a melhor isca. nas janelas era sempre a cabeça dela que atravessava a parede. ela precisava da física. por isso colocava o maior número possível de interrogações nas conversas. as frases dele com pontos no final distribuiam oxigênio e faziam a menina andar cantando e sorrindo por qualquer lugar. agora mesmo... lá vai ela...

feliz dia das mães

quando me vêem dizem que eu sou ela. quando encontram com ela dizem que ela sou eu. nem das coisas que eu não gosto eu escapo. estão todos os detalhes ali, escancarados em mim. não há quem negue a presença da cor vermelha entre nós. o sangue até derrama. o umbigo umbilical me parece ainda ter alma. ela está aqui e eu estou lá. incrivelmente presentes.

sábado, 9 de maio de 2009

sonho de uma gota d'água

as gotas se escorregavam no telhado. caiam várias ao mesmo tempo. se abraçavam formando uma só. grande. que nem gota era mais. descia passando os dedos em cada curva daquelas telhas. sentia medo das falhas no caminho, porque o sonho daquela água era cair em terra molhada pra ver brotar a partir dela pétalas azuis.

terça-feira, 5 de maio de 2009

e o meu futuro? cadê?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

sinto raiva porque a saudade dele não é tão eufórica quanto a minha...