quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

amanhã é domingo!

"- domingo... no meu último dia por aqui quero falar com você... vê se me dá esse direito, hein?
- quero você pra mim no domingo, então.
- será que amanhã já pode ser domingo? amanhã e todos os outros dias? sendo assim... hum... acho que vou transformar todos os dias da semana em domingo.
- então está decretado: todos os dias são domingos e você é minha a semana toda."
a natureza é mesmo incrível! é do próprio veneno do escorpião que se tem a cura... é pra gente ver que o veneno tem sempre muito mais a revelar...
tiveram a capacidade de assaltar meu tio. com coragem e algo mais pra bater em tom de silêncio e levar aquilo que não era deles. custava ter pedido emprestado?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

o mundo como eu gostaria que fosse...

os homens continuam construindo casas entre muros de cegueira. não há uma porta aberta. todas as casas têm óculos, seja de pedra ou de planta. pra ver lá dentro tem que sair lá fora...

os homens ainda compram e guardam. pensam que só porque aquilo custou dinheiro deve-se cuidar mais e usar menos. compram para eles. os outros, desconhecidos, não podem se quer usar os olhos pra ver, tal é a altura das paredes que os separam. por conta disso, gasta-se cada vez mais com cimento e menos com portas e janelas.

nas casas não deveriam ter chaves. as pessoas poderiam se conhecer pelos nomes. dar bom-dia em forma de abraços. comer em um tom de divisão.

o mundo... deveria ser uma única casa. a casa de todos e para todos...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

agora que estou aqui sinto saudades de lá... mudam os lugares, mas essa tal saudade insiste em me acompanhar... em me fragmentar...
odeio quando as pessoas ultrapassam o imaginário e começam a ser realidade pertubadora.
inventaram a liberdade para que a gente tivesse ao menos pelo o que lutar. e o primeiro que me disser que é livre eu vou cuspir gargalhadas e chamar de mentiroso.
ela que não conseguia ouvir o silêncio se comunicava a partir de gritos com efeitos de surdez.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

eu não entendo porque os homens trabalham e no final esperam apenas dinheiro...
impressiona-me como certos atores conseguem ser tantos personagens...
por aí continuam vendendo passarinhos dentro de gaiolas... e quem os compra continua achando que ama os animais...

por aí também continuam a dar beijos em nome de hormônios. continuam a usar máscaras pensando que elas são removíveis. tolos!

cumplicidade

em frente ao espelho ela organizava os fios com a escova de cabelo. penteava pela saudade dos movimentos quando o vento refrescava os espaços entre os fios. passava a escova e se enxergava no espelho. tentava guardar aquele reflexo na memória, para que se um dia tivesse que encarar a sua imagem diferente ela pudesse lembrar daquela moldura em torno da sua expressão facial. seguindo o ritmo da respiração ela escovava os cabelos. ela sabia que os fios teriam fim. por isso fazia isso lentamente... quando a escova ultrapassou os cabelos ela a olhou. uma escova cheia de fios. nesta hora o marido entrou no quarto. discretamente ela escondeu os fios fora da cabeça com as mãos e com as lágrimas. o marido a abraçou e disse: nós vamos raspar juntos os cabelos. ela tinha câncer e ele muito amor...
eu só queria um amor pra vida inteira...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Belo Horizonte ao vivo e a cores


verdades são mentiras

apesar de se enquadrar no estereótipo de homem eu sempre o colocava com características de príncipe. quantas vezes eu já não fiz isso. eu negava qualquer influência hormonal, qualquer regra moral da sociedade. pra ele eu deixava essência com cheiro e cor. fiz dele pintura minha, quadro meu. ele era óleo demais. não misturava com a água. as gotas de chuva salgada nunca borraram a imagem que eu havia pendurado nas paredes do vento. depois de longos meses que formam anos uma menina vem e sopra ares de leveza e destrói castelos sólidos de pedra. essa menina disse que eu não posso usar venda nos olhos e pensar que enxergo tudo. em momentos assim eu só consigo acreditar que a mentira é parte da verdade. de forma que a verdade seja feita de nada mais nada menos que de mentiras. já não há mais conto de fadas. é realidade demais pra se inventar qualquer fantasia.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

ônibus cheio 1h da madrugada e os bares entornando nos passeios em plena quarta-feira. é muito Belo Horizonte!
estou relendo a minha própria história revendo as pessoas que dela fizeram parte. são páginas em branco cheias de textos. e fica muito claro o abismo entre os nove meses que se passaram.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

e termina porque já não há mais espaço

seria muito egoísmo se eu resolvesse conquistar qualquer pedacinho de pele dele. ele é menino que pára e olha. menino que se olha, logo sente. e que se realmente sente, cria um teto de concreto. seria muita vaidade se eu o fizesse voltar aos planos das Três Marias. pra esse caminho que eu escolhi não cabe um menino assim. nem ao menos sei se há espaço pra qualquer pessoa. nas minhas andanças a cor da aliança se faz ausência permanente. sinto-me passagem. indo e vindo. janela sempre aberta pra qualquer que seja a luz, sem distinção de cor ou força. tudo entra da mesma forma que sai. fica muito dentro de mim, é verdade. mas já não sei se eu seria capaz de seguir de mãos dadas. a minha doação tem sido tanto de corpo quanto de alma. eu não quero parar. seria tolice colocar outra moldura em torno de mim mesma. já não iria completar. em um dia qualquer eu poderia me apaixonar por uma flor de cor desconhecida. trocaríamos palavras em voz alta por causa disso, e infelizmente eu não teria nada para explicar. falaria da liberdade, das diversas formas de sentido e ele resumiria tudo em um quarto fechado só para nós dois. por isso pra eu e ele já não há nada mais, a não ser as lembranças dessa Belo Horizonte. inclusive a nossa memória já é bagagem em exagero. chega a me dar dor de tanta saudade. porque apesar dos pesares ele é mais príncipe do que homem.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"ah amiga, você é um vulcão. as vezes dorme tranquila, as vezes em erupção. mas é isso que faz você ser você."

cidade de memórias

Belo Horizonte tem o cheiro dele. as ruas daqui exclamam demais sobre eu e ele. tanto que o ar de memórias inacabadas se acumula e me faz acordar em plena madrugada pra desabafar a presença dele em meus sonhos. ele ainda sente raiva das minhas curvas. não sabe o que é escolher uma direção e manter o foco no fim da trilha. e tenho a sensação de que ele nunca vai saber.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

esconderijo.


e ainda tem gente que acha vulgar fazer aquilo que se quer, em público, no momento exato do sentimento.

gosto de felicidade

há pouco mais de um ano um ser que eu não sei se é humano tirou a vida da mãe da minha melhor amiga. foi naquele mês de dezembro que eu tive a minha primeira gravidez. desde então eu e ela trocamos sentimentos que vêem lá de cima, conectados pelo cordão umbilical daquela que agora é anjo. ontem ela trocou juras com cor de aliança. ter visto os olhinhos dela jorrando doçura fez-me ir de encontro a cada onda gigante desse nosso oceano. o pai... veio até mim e disse que as vezes quando queria falar comigo, procurava meu número gravado no celular e então lembrava da distância. falou que queria que eu morasse debaixo do mesmo teto que eles. a irmã me deu abraços de esfarelar os ossos. nós quatro ali juntos mais uma vez... eu com mais alma que corpo observava a família dela crescendo. agora com o noivo e os sogros. desejei com pontas de pipas próximas ao céu que daquele momento em diante fosse felicidade os muitos olhares que ela e ele ainda trocariam. pra ela e por ela... pra essa menina que tem na voz porcelana, mas que tem nas mãos um volante firme e acelerado. que seja assim... como ela desejar que seja...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

prefiro as suas cartas

quando ele escreve há mais poesia do que quando ele solta letras com som...

foi naquele segundo que eu decidi escutá-lo, pra ver se as palavras no papel possuiam o mesmo sabor daquelas amoras que deixei no caminho de casa. foi uma frustração com gosto de realidade. uma necessidade... porque ele já se fazia tão real dentro de mim que as rimas acabaram por se tornar rasas. e superfície eu bem sei que não é pra mim.
quando vejo filmes como "O jardineiro fiel" confesso que sinto medo da minha coragem...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

- ai Lio. tanto tempo que a gente não se fala
- verdade Debs. você voa demais

mundo particular

de volta ao apartamento cheio de paredes eu fui procurar a descida com cobertura de neve... encontrei uma menina perdida dentro de uma cidade lotada de entradas e saídas, uma cidade com espelhos a cada curva pra você não se esquecer do que se deve ser, uma cidade que exala uma tremenda falsa moralidade que acaba por esconder a natureza. esta menina encontrou uma certa liberdade em um mundo que era dela. era dela e deles. mas agora nem ela nem eles estão juntos e por isso aquele mundo parece simplesmente não existir mais. mas a menina tem sede e quer continuar do lado de lá, do lado de dentro...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

pra prender a liberdade

por ser feita de tanto desejo ela ligou o som e fez curvas no ar. antes é preciso entender que quando ela apaga a luz e a música a faz perder a audição os pés não acompanham o corpo e o desejo se faz autoridade. por isso ela se alivia dizendo que a culpa não é dela e sim desse desejo com cara de gente. ela se alivia com os outros, mas assim que a fala termina uma pessoa que mora dentro dela grita: mentirosa! é bem conflituoso. de um lado do trilho do trem há uma menina que afirma que saliva e mãos dadas são uma coisa só e parada na frente do caminhão esperando a vida arrancar o último sopro há outra menina com ânsia de experimentar, com sede de deitar sem roupa na neve quente. esta é a razão pelo o qual ela não quis fazer psicologia. foi pra não ousar tentar explicar coisas deste tipo. talvez uma mesma pessoa seja várias tonalidades ao mesmo tempo. isso de querer se dizer alguma coisa só serve para textos de máquina de escrever dos tempos românticos. pra ela há muitas teclas que permitem apagar qualquer que seja o pingo da letra i. eu diria que essa menina divide a linha do tempo. consegue dizer eu te amo e deixar abertos os supostos cadeados. ela se contradiz e sabe que faz isso a todo instante. daí a tal metamorfose que ela frisa tanto ser. por culpa dessa tranformação desenfreada esta mesma menina sente medo de não poder ver as rugas surgirem no rosto dele. ela sente medo de não se pertencer e como consequência não pertencer a ninguém. pra ela isto é muito grave. é muita liberdade. tanta que não é raro vê-la buscando prisões pra guardar sentimentos passageiros. ela que quer ter asas não consegue deixar de amar as flores plantadas na terra. e aí... beija uma mulher. beija um homem. beija uma janela. beija uma grade. beija pra ver se a saliva prende a liberdade. ela quer, queria, quis, e continua querendo apenas ser. sem ter a necessidade de encontrar a soma total. porque se ela apenas for já será suficiente...
e hoje tem!!! só me resta saber o quê...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

pela janela de um quarto

Passa pelos meus poros uma ventania que deixa minha bagunça desorganizada. Faz com que aquela cama mal arrumada permaneça sempre assim. As coisas jogadas no chão encontram inevitavelmente seu lugar, ali, espalhadas no chão. A calça beija o cabide, o creme dental se esparrama na escova de dente, a comida abraça o centro, e eu bem ao lado observo a cena desses objetos cheios de vida. As janelas estão nuas hoje. Além delas vejo pontinhos brancos caindo sem direção certa, mas com a certeza de que vão chegar. De repente eles se cansam de cair e criam revoltas no ar, uma poeira-branca-degradê. Deveria ser proibido usar qualquer tipo de coisa que nos fizesse perder a paisagem. Que seja uma folha de outono caindo sob tantas outras, você precisa ver isto! Agora estou dentro de outro quarto, não o meu, mas com coisas minhas. Há paredes com cor de marfim e uma pintura de uma casa colorida pendurada em uma delas. Gosto desses detalhes que compõe um todo. Como o pontinho branco que não para de cair lá fora. A cadeira se mantém imóvel, cumprindo seu papel de ser inanimado. Não me atrai a sua forma quadrada de ser. Já a cama me seduz pelo cheiro de chocolate quente num dia frio. Hoje é um dia de muita cama, o que inclui o corpo em êxtase com o som alto colado nos ouvidos, a vida passando feito filme na tela de cinema, o delírio de ter sangue correndo pelas veias. Delícia!

madrugada

era nestas horas que a gente se encontrava. quando a maioria já se silenciava entre estórias contadas de olhos fechados sob o travesseiro nós nos reuniamos pra contarmos em voz alta as nossas. ontem não houve se quer uma linha escrita, hoje também não e pro amanhã falta-me verde pra esperar qualquer coisa. sei que a ausência dele me dói mais que um corte suicida no pulso...