ele deve ter nascido no meio das plantas. suponho que no ventre da sua mãe havia flores e que o único som ouvido era o de pássaros. acredito que quando criança teve contato com o mundo de forma transcedente, atingindo o céu e a terra com a palma das mãos.
seus passos foram lentos rumo a um destino diferente da zona rural... ele pensava que a cidade seria o triunfo e que nas grandes empresas estava o fim da sua busca. não foi preciso muito pra entender que se encontra a felicidade apenas em si mesmo. com o suor gasto no trabalho ele, enfim, teve a sua recompensa.
seu retrato está espelhado nas águas de Lagoa Santa. é ali que ele ainda vai construir uma cidade. restos de obras são lapidados pelos pincéis humanos desse homem. me impressiono com a fusão entre ele e a natureza. são um corpo só. me surpreende a simplicidade. de bermuda rasgada, chapéu na cabeça e chinelo no pé ele cria e recria mundos singulares. seu jeito pausado de falar me deixa impaciente, mas também me faz admirar a capacidade de falar sem o movimento dos ponteiros do relógio.
esse é o meu pai.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
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