segunda-feira, 7 de junho de 2010

seu olho no meu olho

estava no meio de nós dois, ou entre nós dois, ao lado, na frente, colado, dentro, ao redor, aliás, pouco importava a forma. mas ele insistia e permanecia. e o pior: incomodova. o silêncio escandalizado dos olhos me pertubava. a mudez berrante da pele me agonizava. tudo me deixava prestes a interromper as nossas melhores linhas com palavras pobres entupidas de sentidos reais. era difícil suportar a imaginação tão livre. acontecia tanta coisa sem que a gente se quer movesse os cílios. era sufocante manter aquele dialógo de faces transbordando expressões. era natural que buscassemos fôlego desviando os olhares. era previsto que o corpo não encontraria espaço suficiente e que despertasse inquieto. o seu olho beijando o meu olho me causava isso. uma vontade absurda de não piscar nunca mais.

5 comentários:

  1. Nossa, já vivi situações assim... Onde em meio ao silêncio e através dos olhares, as almas se comunicam em uma sintonia perfeita...

    Valeu, Débora.
    Sempre muito bom vir aqui.

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  2. já vivi coisa parecida. você escreve muito bem. estou seguindo você em meu blog para sempre te acompanhar (: me segue também? beijos :*

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  3. ai Fernanda... isso de alma é tão lindo, né? obrigada pelas petálas que você me deixa sempre nesta tela...

    C, não é a melhor sensação que existe? é por isso que evito qualquer tradução disso em palavras... quando ele chega eu falo somente pelos olhos...
    e agora eu vou visitar os seus pensamentos...

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  4. Eu gosto de txts sobre as conversas estabelecidas pelo olhar. Tão reveladoras... Seu txt me inspirou a escrever um poema. Leia com os olhos bem abertos, olhos da alma, olhos da palma.
    http://versoaoavesso.blogspot.com/2010/06/iris.html

    'Tem certas coisas que eu não dizer...'

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  5. hum... ler com os olhos, ler com as palmas... não há texto melhor que esse.

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