terça-feira, 5 de outubro de 2010

mapa da pele

as curvas que sua pele fazia eram propositais, nenhum pedaço ali era ao acaso. dava pra desvendar a sua história no encontro dos poros. sua pele tinha uma espessura muito própria, tinha uma cor que só era dela, tinha um cheiro que nascia em si mesma. quando via nas costas aquele mundo de pele se encontrando, se consumindo, se alargando, seus dedos se exaltavam encostando o máximo que podiam naquele corpo que respirava. percebia então que pele era coisa que só se podia sentir no encontro de outra, as próprias mãos não conseguiam produzir aquela sensação que vem de fora. era esse desejo de ser tocada, de ser descoberta feito lugar desconhecido, que a fazia mostrar a própria pele pra causar a curiosidade dele em cruzar as fronteiras, tão permitidas. o mistério se desmanchava na união das peles, não era tanto nos caminhos dos corpos, mas na fusão das pulsões. ao sentí-lo sentia a si mesma, era ele sentindo o gosto que era dela e ela absorvendo a sensação que era dele. percebia-se ali mesmo, no ato, o mapa de todo aquele percurso, fazendo retornar com frequência nas zonas que se contorciam com o toque. a nudez era mesmo um excesso de evidências, a revelação de um falso esconderijo, era o decifrar do instinto mais íntimo.

2 comentários:

  1. Que delicia tocar a pele de quem se ama, se deseja... existem tantas formas de prazer, e alguns ainda se prendem a uma só...
    Massagear as costas, sentir o perfume da pele, o som da voz...
    até mesmo segurar as mãos de uma amiga querida, como vc!!! Fico imaginando como será o toque de suas maos e o calor do seu abraço...
    Bjaooo saudades

    ResponderExcluir
  2. será que se a gente imaginar algo com muita intensidade esse algo pode vir a ser próximo da realidade?

    ResponderExcluir