quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
solidão povoada
até hoje só vi você sozinho, num barco sem remo, guiado pelo vento. insisti na idéia de que lhe faltava companhia, alguém pra sentar ao lado seu numa tarde de domingo. você foi me mostrando que solidão não era bem ausência, mas multidão. percebi que a minha presença não o preenchia, já que não havia espaços vazios. era inevitável que eu me afogasse em suposições diante das poucas sílabas que você soletrava pra quem quisesse ouvir. naquela vez que vi você cantar, gastando frases inteiras sem economizar, sentei no canto da varanda pra você não ver o quanto eu o memorizava nos mínimos detalhes. e não foi só naquela vez, é sempre assim toda vez que sinto sua pele passear pelos muros desta nossa cidade. Belo Horizonte passou a ser nossa depois que você me deu de presente o caminhar pelas ruas sem lugar certo pra chegar. é uma sensação que é nossa, essa de não importar se estamos aqui ou acolá, basta que estejamos...
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