quarta-feira, 8 de setembro de 2010

nossa péssima tradução

quando enfim conseguia o silêncio as mãos ficavam perdidas, o corpo balançava sem encontrar apoio. olhar você sem dizer nada é desconfortante. sinto-me perdida de mim mesma sem poder ao menos controlar os meus movimentos. a minha pele começa a ter uma vida que segue um caminho que eu não posso alcançar. me denuncia. a minha pele mostra tudo aquilo que eu nego com as palavras. o pior é que a minha pele não me trai, ela é aquilo que há de mais fiel em mim. se eu fosse você a partir de sempre passaria a conversar comigo pelas retinas. assim poderiamos ir muito além destas letras que a gente pensa pra dizer. deixariamos os olhos nos levar pra onde eles quisessem, afinal o corpo em liberdade desconhece qualquer limite inventado pela razão. mas eu preciso que você me proíba de me acomodar entre os textos, que negue me ouvir. não se trata de surdez. falo de todos os sentidos misturados numa cor só. quando me sinto nos olhos seus percebo seu gosto, seu cheiro, seu som, sua pele. não dá mais pra ficar nessa via de mão única sem que possamos nos esbarrar nos nossos supostos sentidos opostos. já esgotou a minha paciência pra nossa péssima tradução dos poros em palavras rasas. há muito mais linhas nos nossos pensamentos. há muitos parágrafos nesse nosso desconcertante silêncio...

2 comentários:

  1. ai que lindo esse texto, amiguinha. saudade de vc e do seu cantinho...
    olha, gostaria q conhecesse um pouco da minha poesia... ela nao está finalizada ainda, mas ja da pra vc ter uma noção de como ficará!! espero q goste.
    www.myspace.com/thiagobferreira
    bjaooo bom findi

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  2. e de agora em diante além de atravessar a sua imagem eu poderei ouvir a sua alma...

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