domingo, 15 de maio de 2011

notícias particulares

quando o mundo se globalizou eu quis voltar pra roça da minha avó, num lugar sem cep e sem luz. achei excessiva aquela quantidade de linhas informando os feitos das esquinas desenhadas no mapa. rasguei os pedaços de jornal e desliguei a tv. era suficiente dar conta dos corredores que eu podia ver. não fazia sentido saber das coisas do lado de lá, estas coisas me afastavam do vizinho da porta da frente, que eu conhecia menos que o povo de um país distante. comecei então a saber mais da vida que ali acontecia, preferia meus pés mergulhados na realidade a um amontoado de informação colorindo a tela da tv. não queria saber falar da política norte americana, mas me importava muito saber dos sonhos de alguém. inclusive ontem encontrei pela praça um vendedor de poesia que vivia em torno do próprio círculo. Aurélio sabia das necessidades que lhe pertenciam, das necessidades que os separavam da eternidade, Aurélio se disse desmaterializado, possuidor de seu corpo, e principalmente de sua mente, a qual ele não aceitava colocar na prateleira de uma loja a troco de fatias de dinheiro. realmente, os cifrões nos distanciam daquilo que nos contém, compramos objetos que pensamos precisar, mal sabemos nós que nosso corpo tem fome, mas é fome de alma.

3 comentários:

  1. Bravo!
    E a quantidade anda sobressaindo a qualidade, pra quê uma quantidade enorme de seguidores no blog, se a alma das pessoas continuam vazias? Ah, esquece, vai.

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  2. Eu me encontro sempre com uma poesia que não vende, porque não tem alma pra comprar.Eu que não me possuo, suo pra sentir cada parte do mundo ao meu redor.
    Cecília, você sonha, você sente, e acredita. Isso faz mudar a consciência de quem esta perto de ti.

    Beijo no coração.

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  3. Cris, mas como me pedes pra esquecer se você materializa tal desconforto na tela? sabe... penso que vazio não há por completo, mas faltas existem em excesso. culpados? acho difícil definí-los. somos todos culpados, o crime não é só daquele que atira...

    Blakhorshed,
    que suas palavras tenham força pra além da tela, eu espero de verdade que o abraçar das letras que por aqui caminham possam transformar vidas inteiras...

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