quarta-feira, 22 de outubro de 2008

nossa filha...

Tem horas que vejo nossos filhos descendo as escadas da nossa casa de madeira. A mais nova chegando bem devagar com cara de sapeca, com o rosto colorido de tinta. Vem dando passinhos de algodão pra que eu não a veja, mas as mães sempre ouvem os dedinhos de esconderijo. Viro e ela corre para o nosso quarto. Eu acho estranha aquela sombra que ficou no ar, uma mancha colorida. Vou atrás dela... e a encontro deitada com o rosto escondido entre as mãos que de tão pequenas não cobrem se quer as bochechas. Meu lençol antes branco agora está estampado das várias cores que ela usou pra se fazer aquarela. Por minutos menores que sessenta segundos eu relembro a cara de brava que a minha mãe fazia com as minhas travessuras mais gostosas que o bolo de cenoura da vovó. Ela parava e respirava um ar tão profundo que eu pensava que não sobraria nada pra mim. Mas eu fiz diferente... peguei todas aquelas tintas e me cobri delas. Fingi não saber dos números que me separavam da minha filha. Quis ser, como quero sempre em qualquer dia, uma criança e me lambuzar de pedaços de confetes de alegria. Vendo-me assim ela se permitiu ser mais do que acreditava que poderia... e se pintou até nas paredes do vento...

2 comentários:

  1. Alegria.
    É a palavra mais fiel que encontrei para definir criança.

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