sexta-feira, 24 de abril de 2009

pirulitos da minha infância

esse mundo sem esquinas tem dessas coisas. de refletir aquele mesmo sentimento que me agitava dentro do frasco nos dias das folhas já rasgadas do calendário. recordações de imagens fotográficas. altamente intrigantes, vivas, ofegantes. de pessoas que cresceram, mas que eu não pude acompanhar os pés pisando a terra. depois de anos um reencontro calado. virtual. sem aquela emoção que nos agarrava nas tardes depois da escola. me parece que certas sensações morrem no instante em que acontecem. nenhuma das meninas me convidaram pra descer para o pátio e ocupar com bonecas da infância as nossas tardes, que na maioria das vezes se pintavam de noite. respiramos muitas fantasias juntas. naquela época os vizinhos ainda ultrapassavam a geografia. a gente se conhecia. sabia nome de pai, mãe, até tios e tias. mas hoje elas cresceram e junto com elas o mundo. o fato de estarmos perto já não nos aproxima. ficou tudo lá atrás. daqui eu fico a me espantar com os sorrisos tão grandes que cada uma mostra nas fotos. o futuro que cada uma compôs, bem do jeito que eu poderia esperar. seguiram fielmente os traços de menina que um dia eu vi desenhar. elas continuam a marcar com força o universo que as pertence. sei apenas que nostalgia é algo bem gostoso de se sentir, pra fazer reviver aqueles nossos esconderijos de criança.

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