quinta-feira, 3 de março de 2011

somos mesmo iguais?

e se fossémos iguais quanto a lei diz que somos não haveria tantas fronteiras entre realidades tão diferentes. enquanto um menino calça seu tênis pra jogar futebol em uma quadra coberta com bases de cimento, outro menino usa a nudez dos pés pra pintar a sola com a cor da terra e distrair o tempo com uma bola correndo entre lixos espalhados. enquanto Carolina amanhece e abre o chuveiro pra acordar o dia, do outro lado Adriana só molha a pele no fim da tarde após caminhar alguns quilômetros em busca das gotas do dia. enquanto uma família escolhe o prato do dia pra sentir as delícias do gostos, outra família come o que há por uma questão de sobrevivência. se por aqui uma doença surge procuramos logo um hospital com curas revestidas de remédios, mas se por lá isto acontece o atendimento se faz tão distante que se a cura não vier naturalmente só a morte poderá findar o sofrimento. a morte pra curar a vida. nós que nascemos iguais e nos inventamos diferentes. seria muito simples eu me desviar da culpa pelo fato de ter nascido aqui neste berço, e ainda bem que não o faço. sinto-me muito responsável por tudo o aque acontece para além das grades da minha janela. e se hoje estudo profundamente o serviço social é porque em breve eu quero poder construir mundos inteiros ao lado deles, do lado de lá do meu.

3 comentários:

  1. sem palavras... um manifesto? belissimo texto... profundo e revelador! levarei comigo, no coração e pra vida!

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  2. preciso me alimentar daqui sempre!

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  3. sim Emerson, um manifesto pra essa mentira que me contam diariamente, um manifesto pra este mundo que se divide em fatias bem demarcadas, um manifesto que não muda o curso das águas, e que tampouco me alivia.

    Lio, nossos caminhos se cruzam, ora você planta, na esquina eu colho, ora eu planto, e na curva você colhe...

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