sábado, 14 de abril de 2012

você por mim

eu te entendo tanto meu bem, a nossa história não foge da gente, não adianta tentar seguir sem ajustar o relógio aos passos seus, a nossa infância sobrevive até depois da chegada das rugas, a gente não esquece, nem poderia, sei que é assim com você também, sei que você criou armas pra deixar a paisagem um pouco mais bonita, quanta ilusão, bastaria a primeira lágrima pra desmanchar toda esta pintura, você se defende tanto, que se defende de si mesmo, dos próprios medos tão desconhecidos, você não se enfrenta, porque sabe que há poeira demais escondida ao longos dos seus 20 e poucos anos, aceitar a estação seja ela qual for não é sinônimo de saber viver, assim você se perde, deixa de ser autor, pra ser personagem, aí você corre, frenético, impede qualquer segundo de silêncio aumentando o som da música que fala por você, você acelera pra não deixar sobressair a sua desmedida ausência, você quer estar nos quatro cantos do mundo, mas de fato não está se quer em nenhuma esquina, você não existe, apesar do corpo latente, você não sente a vida a partir dos poros, sua pele se transformou em escudo, e você vomita qualquer possibilidade de desconforto, embriaga-se, é mais fácil assim, eu te entendo tanto, desde a nossa primeira conversa eu soube, falatvam sonhos nas suas palavras, você aceitou a estrada já construída, e não quis suar o corpo pra construir a sua.

2 comentários:

  1. lindas palavras... me vi em vários paragrafos.

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  2. Laila, muito obrigada!
    e eis a beleza da poesia, ela cabe em qualquer um que queira vestí-la.

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