sábado, 28 de novembro de 2009

tarde de chuva

lá fora tem muitas janelas, mas não tem ninguém que me veja a partir delas. hoje choveu muito. eu fui pra sala, onde tem a maior janela do meu apartamento. hoje achei estranho o simples fato do sofá da sala estar de costas pra janela. virei-o e deitei nos contornos das coisas lá de fora. fiquei assistindo a água caindo do céu e me mantendo seca debaixo de tanto cimento. eu quis descer e molhar as minhas curvas, mas a falta de companhia tem me roubado muitos impulsos. como se eu tivesse descoberto que sozinha não faz tanto sentido. fiquei horas congelando as gotas dentro de mim. o céu quando chora é de felicidade. é uma forma de limpeza, de equilíbrio da temperatura. depois que chove fica tudo mais bonito. eu gosto das coisas molhadas. tem uma parte do mundo que não se molha tanto pelas águas do céu. mas mesmo em lugares assim o homem vai lá e rega todas as coisas. o homem cumpre o papel do céu e só chora quando é de felicidade.

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