segunda-feira, 3 de maio de 2010
a história que não começa
dá vontade de distrinchá-lo em letras bem separadas, ao ponto de poder quase tocá-lo nas frases, numa utópica tentativa de torná-lo meu. dá vontade de pintá-lo num quadro em tamanho real, de desenhá-lo ao alcance dos meus poros, de guardá-lo dentro de mim. dá vontade de ser ele, só pra estar nele. dá vontade de possuí-lo, tal qual objeto. dá vontade de espalhar o cheiro dele nos outros cheiros, de sentí-lo esparramado nos meus frascos de perfume, de dormir envolvida pela fragância particular dele, de encontrar em qualquer pedaço de mundo o seu aroma. dá vontade de conservá-lo daquele jeito bonito, que só ele sabe ser. e de tanta vontade, quando ele se torna real, cara-a-cara, olhando pra mim, eu me afasto, encosto os meus desejos do lado oposto ao dele, me reservo, me sufoco, pra ele não desconfiar da traição dos meus olhos. fica o meu corpo contradizendo as minhas retinas. e fica ele, sentado num canto onde as peles não se comunicam, pra evitar qualquer perda de figurino, qualquer perda de personagem, qualquer perda do enredo. pra mim é isso. a nossa presença é teatral. fica claro que por trás dos panos há uma outra história a ser contada...
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Envolvente e apaixonado.
ResponderExcluirBelo texto.
Saudações!
Geraldo, envolva-se também. é mágico o encontro das letras. é quase impossível não se apaixonar...
ResponderExcluirobrigada por deixar o seu encontro com as palavras por aqui.
até as próximas!!!