terça-feira, 18 de maio de 2010

quase lá...

eu deixo você pensar que me engana. deixo você pensar que eu não sei do seu compromisso lá fora. finjo não saber, porque assim é como se o fato não estivesse consumado entre nós dois. eu deixo você me olhar como quem quer me enxergar antes dos passos. eu faria tudo repetidas vezes só pra entrar mais uma vez naquele ônibus, com você me fazendo menina e me ajudando a subir a escada como se fosse a maior das montanhas. eu deixo você pensar que aqueles degraus são imensos e que sozinha é difícil pra mim. deixo você acreditar que preciso da sua mão. a cena se repete nos sinais. você abraça meu corpo com seus braços de homem e me protege dos carros que não vem. o sinal está aberto. e você me protege assim mesmo. e eu deixo você pensar que eu tenho medo de chegar do outro lado sem você. a gente conversa, a gente atravessa. eu quase chego lá, em você. e você quase chega cá, em mim. quase. você segura a minha mochila. eu deixo você pensar que ela é muito pesada pra mim e que eu preciso de você pra carregá-la. eu deixo. me deixo depender de você. estou quase lá...

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