sexta-feira, 28 de maio de 2010

de um tempo que é meu

e aí você se dá conta que o tempo é seu. já não importa qual a data de amanhã, você consegue saber das idas e vindas da lua pelo céu. não faz diferença se a lua nasceu sete vezes desde que você veio ao mundo, basta saber que ela nasce. de uma mesma árvore você conclui que nem sempre é tempo de flores. ali, sentada na beira de um rio, você percebe gotas confusas, formando redemoinhos. quando o galo canta você logo imagina que vai raiar o dia. e aí o tempo é seu. você pára de querer comprar objetos que tragam este tempo de volta. o tempo está em você, não está em nada além de você. assim faz mesmo perder o sentido... você começa a se perder nas ruas cheias de asfalto. esquece, propositalmente, os óculos em casa. enxerga tudo um pouco embaçado e foca nos desenhos das nuvens. quase confunde a grama friamente calculada com o jardim que brincava em instantes de infância. vai andando pela cidade e descobrindo cores urbanas. deixa pra depois o compromisso marcado com a sociedade, abandona qualquer espécie de agenda e sacia com urgência os seus mínimos desejos. o melhor é que você se dá conta que suas vontades estão por aí... fora do consumo. você pode se realizar através do seu corpo, da sua pele, dos seus olhos. cabe tudo em você. está tudo em você.

4 comentários:

  1. "o melhor é que você se dá conta que suas vontades estão por aí... fora do consumo"

    Isso foi fantástico.

    Obrigada, Débora :)

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  2. debs!
    ah debs, vc bombando como sempre. hj ta chovendo aqui, daí tá fazendo um friozinho. e me fez lembrar os nossos dias no alto da montanha !
    tantas saudades
    amo.
    bjo

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  3. será que em algum dia nós saímos de lá?

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