quinta-feira, 29 de julho de 2010

da sua indesejada sobrevivência

eu tive tanto medo de soltar você naquele abismo, eu tive tanto receio de que a sua sobrevivência dependesse das minhas mãos segurando as suas, eu tive muita insegurança em seguir para um lado que era contrário ao seu. mas eu fui, como quem conquista a independência eu segui pra uma distância que eu temi deixar de ser física. quando eu decidi olhar pra trás, buscando pedaços seus nos trilhos, conclui que caminhava sozinha. aquela não era a sua partida, era a minha. você que sempre partiu enquanto eu me fazia espera agora não me deu tempo de partir se quer pela primeira vez. você ficou na mesma estação de antes. eu tinha que partir, será que você não entende? eu só queria pegar o mesmo trem que você. eu esperava que você não deixasse a porta se fechar. mas acontece que eu parti e você ficou. eu soltei os seus dedos e você caiu de uma altura maior que a gente. eu senti ferida por ferida e não me preocupei em cicatrizar você. não houve morte, o que eu sinceramente desejava. eu com a minha partida, você com a sua queda, e eu outra vez esticando as mãos até você. não era pra você continuar respirando dentro de mim, era pra você perder o ar. mas você tem tantas vidas que eu já até desisti de contar...

4 comentários:

  1. Um dia tudo acaba, docinho....(in)felizmente...
    bjus saudades

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  2. será mesmo feliz as idas e vindas, o eterno recomeçar? as vezes me falta um lugar daqueles que pulsam pra retornar...

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  3. Eu estou simplesmente impressionada com esse texto!Lindo demais. Parabéns mesmo, por sua sensibilidade!

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  4. obrigada Tay... a pele da gente tem que respirar e a minha muitas vezes transpira por aqui...

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