quarta-feira, 28 de julho de 2010

dia meu

desde que nasci todo dia 27 de julho meu pai dizia ser o meu dia. aceitei a condição e guardei o dia inteiro em uma caixinha que só se abria à meia-noite do dia 26. dias antes desse dia, que era meu, sempre houvera um esfriar na barriga como quem sabia que estava por vir um dia marcado no calendário. me colocava a preparar desejos que coubessem entre os ponteiros do relógio e entre os muros deste mundo. nunca couberam todos. nunca houvera um só dia que fosse suficiente. foi então que percebi o nó. é que um dia apenas jamais poderia dar conta das vontades de uma vida inteira. era preciso marcar todos os dias do calendário, sem exceção, todos os dias deveriam ser meus, seus, nossos. assim foi. eu só não quis desfazer do dia que meu pai escolhera, que era pra ele não ficar sobrecarregado com os meus outros tantos nascimentos...

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