quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

nossa casa do lago

- vamos sair...
- pra onde vamos? que horas? e para qual direção? do vento ou da lua?
- do sol mesmo, porque eu estou branco de tanto não sair. eu quero o sol pra ficar na pele mesmo, pra arder depois. qualquer coisa, a gente toma banho de mar.
- eu acho bom quando arde. dá pra ver o quanto a pele da gente respira. e um banho de mar... acho que podemos contruir nossa casa sob uma onda. a maior das ondas.
- mas onda quebra.
- mas a gente não.
- mas e a casa? não é em cima da onda? vamos construir uma casa no lago. bem grande. e a onda, a gente nao constrói nada, a gente só vai mesmo. porque onda é assim mesmo, só uma onda. eu quero ter para o quê voltar e eu quero ter porquê ter que sair. assim. ao mesmo tempo.
- e a nossa casa no lago pode ser sem paredes? toda de vento? podemos até comprar um cobertor para os dias de frio, mas eu sempre achei que cama boa era aquela de grama.
- não. você não entendeu. eu quero a casa. a casa tem que ter. porque eu quero abrigo. mas grama vale... e vai ser ali, perto do lago e perto da onda. porque tem que ter tudo. a gente nunca se satisfaz. tem que ser um lago no mundo. uma onda no oceano todo. e uma grama no espaço. pode ser na lua. se não a gente não cabe. eu e você somos muito espaçosos. as pessoas não entendem. e nós não queremos incomodar os vizinhos.
- é verdade... temos que ter tijolos. pra dar a sensação de abraço quando abrirmos a porta. só vamos tomar cuidado pra não confudirmos paredes com mundo particular. vamos ser tudo o que há pra ser dentro e fora. e o nosso quarto? como será?
obs: estou emocionada. meus olhos estao se enchendo das águas do nosso lago.
- obs: eu estou rindo. eu imagino como você está respirando.
- e o nosso quarto? quero detalhes, as esquinas, os corredores, as cores. e a gente, como vai ser?
- bem , nosso quarto vai ter várias fotos nas paredes. porque vamos ter vários amigos.
- continue, não pare.
- lençóis velhos e rasgados, porque eu gosto assim... quanto mais velho, mais macio. e lavar só de vez em quando. lençol tem que ter cheiro de noite. vai ser uma bagunça, mas vez ou outra a gente vai dar uma organizada geral e achar por ali na bagunça o que é, era ou pode ser parte de nós, mas que estava perdido.
- quantas janelas? quantas portas? qual o tamanho da cama? qual a cor da parede? muita luz? mesas? cadeiras? tapetes, almofadas? tv? telefone?
- o quarto não é só meu. vai ter uma tv grande, ar-condicionado, sem luz. você já sabeee. sem tapetes. sem almofadas. as pessoas têm que poder andar dentro do meu quarto também. dançar.
- vamos deixar muito espaço pro vento chegar e ficar.
- telefone vai ser o sem fio da sala. leva para o quarto quando quiser. tem que ser bem ventilado, com uma janela enorme. se puder mais de uma. melhor...
- uma pra cada parede. e a casa será perto de quem? perto de quê?
- não. muita janela nãooo. é um quarto. não é a casaaa. quarto é quarto. é refúgio, fuga. é escuro. é calmariaaa. quarto é quarto. não podem ver o que a gente faz lá. é quarto. bem, a casa... para a próxima conversa, porque estou indo.
- nao acredito. bem no meio do nosso futuro? tava aqui quase caindo da cadeira e sentando bem na beirada do céu. me escreva sempre. por texto, pensamento, flores, poesia. amovc. e volte. volte sempre. a casa é nossa.
- eu escrevo tanto e você sabe que sim.

2 comentários:

  1. Oi..
    Adorei seu blog..
    vc escreve mto bem..
    to seguindo vc..
    me segue se quiser..
    bjo

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  2. Leela,
    é muito bom que nós possamos dar as mãos. caminhar sozinha é ruim, eu sei que é. vamos juntas. obrigada pela companhia!
    Abraços, Débora Cecília

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