terça-feira, 26 de janeiro de 2010

raízes precisam de céu

a medida que foi esticando a pele foi cavando a terra e colocando cada vez mais fundo os seus pés debaixo dela. era uma espécie de árvore criando raízes profundas em diversas direções. com o movimento dos ponteiros do relógio ele ia se esquecendo das folhas que ficavam lá fora. queria ser só raíz, apenas raíz. engano. olhava tanto para as raízes, preocupado em mergulhar nos limites abaixo dos olhos, que não sabia olhar pra cima, desconhecia que não havia fim... iludido ele cavava o próprio túmulo, porque olhar para uma única direção é como morrer. não há apenas um cheiro, apenas uma cor. ele já não queria saber das outras janelas, queria morar dentro daquela única fresta de luz que havia encontrado. ele não queria saber de nada mais... ele já não sabia de nada mais.

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