sexta-feira, 5 de novembro de 2010
eternidade que escorre
pensava em amores cobertos de asas, sem tempo de chegada e com o mundo pintado pelas montanhas da pele. imaginava um homem que usasse colares de adrenalina e se vestisse de multidão. um daqueles que jamais tivesse visto um mapa e por isso tivesse a certeza dos caminhos. descobria parte deles em alguns corpos espalhados por aí, mas a impossibilidade de fundir tais detalhes a fazia amar vários deles. amava por frascos pequenos de admiração, que insistiam em não completar a dose da eternidade. por vezes acreditava que a eternidade a havia abandonado há alguns anos, e que o agora era tempo fulgaz, daqueles que escorriam completamente com o caminhar dos ponteiros. o beijar das retinas sentava em bancos de praça sem dono e endereço. não contava mais histórias sem ponto final, começava um enredo já ciente da fatalidade da última página. diziam por aí que ela estava desiludida, mas a verdade é que ela usava agora o seu melhor vestido, costurado entre fios de alma.
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