terça-feira, 26 de abril de 2011

quase lá

eu percebo cada gesto seu, e sei que desde que nos encontramos os móveis mudaram de lugar, como se o espaço que as coisas ocuparam perdesse o sentido por um instante, e se tornasse urgente o movimentar das coisas de antes pra transformá-las no agora, eu percebo tudo isso, vejo você guardando histórias nos cantos da casa, trancando fotos na última gaveta, rasgando resquícios de laços antigos e escondendo debaixo do tapete da sala, tudo isso pra me dar mais fôlego, pra deixar o espaço mais livre pra eu respirar, quase o seu quarto inteiro só pra mim, eu quase posso continuar o impulso e correr metros de possibilidades, mas sou precavida, paro no quase, só pra não ter que me resgatar lá atrás.

6 comentários:

  1. Quao gentil essa atitude de zelo e tanto, mesmo sabendo que passado nao se apaga, mas é esquecido.

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  2. C., ontem mesmo uma colega minha escreveu sobre isso de esquecer, e sabe... não acredito que as pessoas esqueçam, acredito que elas continuam, como se entendessem que passado, presente e futuro se misturam, dificultando a definição de um só tempo verbal. esquecer seria mutilar a própria história, escrita com pés tão firmes. eu não esqueço. mas eu continuo... e são tantos os amores, as formas de amar, que ainda que uma delas tenha sido tão linda, eu sei, que ainda haverão outras mais...

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  3. Isso dá música para Adriana Calcanhoto...rsrs
    Móveis,gaveta, quarto.
    Não gosto do quase, me lembra metade. Não gosto de metade, gosto de cheio ou vazio...

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  4. No "quase", ando parado também.
    E,é verdade. A mulher que se sente unica, amada, desejada, refloresce.
    Já observei bastante,é assim ...

    Beijo no coração.

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  5. Keila, somos tão inteiros que as vezes chega a me dar medo de me transpor assim tão completamente, medo de cair, e caindo, de voar...

    Blakhorshed, chega a ser bonita a forma do corpo contar pro mundo inteiro das coisas do coração...

    e Lero, conto de todos, um por um, história por história, capítulo por capítulo, até chegar no nosso enredo.

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