depois de muitos dias deitados na grama surgiu o sol… e nessa noite eles deitaram na varanda do Bela Vista. ela e ele, eles e o mundo, os desejos deles e o do resto do mundo. a conversa atravessava o chão. Clarice falava vermelho e ele coração, ela pensava música e ele já cantava o refrão. juntos a risada fazia perder o folêgo. eles respiravam apenas pra buscar a próxima inspiração.
- sua meia listrada combinou com seu sapato de bolinha – disse ele
os diálogos instigantes mudavam sempre o rumo. Clarice desabafando o amor que pediu pra passar e ele, que não gosta de música, analisando as cifras. comentários sobre o avião que sempre passa no céu, como se o menino morasse em algum pedaço daquele azul. as frases repetidas no ritmo lento dos pensamentos da menina. e ele ali respondendo todos os porquês. e no meio de tudo isso as letras minúsculas pedindo licença.
é essa amizade… que não nasceu em berço, pode ser por isso que seja um pouco sem lar, sem cá ou acolá, com palavras soltas na ponta da língua.
domingo, 8 de junho de 2008
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