sábado, 26 de julho de 2008

de bandeja

Me esparramei numa bela mesa de jantar, abraçada por um veludo azul-bonina. Coloquei-me bem ao centro pra destacar. Ao meu lado vinho tinto. Doce. Vim pra ficar de bandeja pra quem quisesse me levar. Eu iria com quem me desse a mão. No começo, sem dias seguintes, eu nem reiventava o futuro. Mas agora com tantas fitas de amarrar presentes sinto-me perdida entre tantas camas. Amanhã queria nascer João, abster dos meus desejos e apenas receber, seguindo os passos a minha frente. Mas esquecer minhas vontades parece impossível, porque elas estão aí... estampadas, escrachadas, indiscretas. Fazem de mim escrava... hoje mesmo colei estrelas no quarto de Eduardo. Eu sei! Eu também falei de planetas. Por favor, não me cobrem postura. Desmancho fácil demais.

Sinto cheiro de mentira quando falo que estou a me recriar. Na verdade são os novos acontecimentos que causam novas reações. E se você analisar bem não há nada de novo, há apenas aquilo que você já era sobre um novo ângulo. É. Estou usando óculos diferentes agora. Desfazendo a falsa cegueira. Assim eu posso cavar mais fundo o buraco. Você também poderia apagar tudo isso que escrevi... porque tem horas que acredito que a gente se quer existe. Penso que criamos molduras demais... e que se começarmos a desfazer as embalagens restarão apenas nós mesmos, a nossa desconhecida semelhante natureza. Queria eu poder ser o que não tivesse pensado ser. Apenas para ser eu mesma.

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